Empresas Estes multimilionários fizeram fortuna a tentar combater alterações climáticas

Estes multimilionários fizeram fortuna a tentar combater alterações climáticas

Com um património líquido combinado de 61 mil milhões de dólares no fim de 2019, os multimilionários "verdes" representam o aparecimento de uma vanguarda super-rica no combate ao aquecimento global.
Estes multimilionários fizeram fortuna a tentar combater alterações climáticas
Bloomberg 25 de janeiro de 2020 às 21:00

Quatro acionistas de uma gigante chinesa de baterias de veículos elétricos acumularam uma fortuna combinada de 17 mil milhões de dólares. Um empresário australiano criou um património líquido de 7 mil milhões com reciclagem. Uma participação numa transportadora de células de hidrogénio combustível cunhou um multimilionário nos Estados Unidos.

 

Estas estão entre as 10 maiores fortunas derivadas principalmente do crescente negócio de soluções climáticas, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

 

Com um património líquido combinado de 61 mil milhões de dólares no fim de 2019 – cerca de três vezes a capitalização de mercado da empresa de serviços petrolíferos Halliburton –, os multimilionários dessa lista representam o ressurgimento de uma vanguarda super-rica no combate ao aquecimento global.

 

A lista exemplifica o crescente peso e diversidade da economia verde. É composta por nomes conhecidos como Elon Musk, CEO da Tesla, e fundadores mais discretos de algumas das maiores empresas da China. A sua ascensão ao ápice do capitalismo foi sustentada por uma procura fervorosa dos investidores.

 

Os investimentos em empresas que abordam as mudanças climáticas ou incentivam práticas sustentáveis estão a aumentar. Os ativos sob gestão que usam uma ampla definição dessa abordagem – integrando fatores ambientais, sociais e de governança nas decisões de investimento – atingiram 30,7 biliões de dólares no início de 2018, cerca de 30% mais do que há dois anos, de acordo com um relatório financiado por um grupo de instituições financeiras, que incluem a Bloomberg LP, proprietária da Bloomberg News.

 

A popularidade dos investimentos verdes, uma das áreas de crescimento mais rápido em finanças, é agora tão grande que até os deputados do Parlamento Europeu estão a trabalhar em regras para os definir.

 

"A próxima grande história de sucesso são as finanças verdes", comentou William Russell, "maior" da City of London, distrito financeiro de Londres, em entrevista à rádio Bloomberg em dezembro. "A dinâmica nesse domínio é enorme".

 

A crescente procura por alimentos à base de plantas poderá produzir, em breve, dois novos multimilionários: o fundador da Beyond Meat, Ethan Brown, e o CEO da Impossible Foods, Patrick Brown (não são parentes). Ambos possuem participações no valor de centenas de milhões de dólares nas suas respectivas empresas. Ambas criaram um mercado para substitutos da carne que não implica o custo ambiental da pecuária, responsável por 14,5% das emissões globais de gases com efeito de estufa.

 

"A riqueza verde depende muito de tecnologias inovadoras que tenham êxito, o que significa que essas fortunas podem ser destruídas num piscar de olhos", sublinhou por seu lado Kingsmill Bond, estratega da área da energia no Carbon Tracker, um think tank que avalia o impacto das alterações climáticas nos mercados de capitais e investimentos em combustíveis fósseis. "Mas as pessoas que descobrirem novos nichos nessa nova economia serão donas da riqueza do futuro", acrescentou.

 

Um exemplo é Mário Araripe, um magnata brasileiro que fez fortuna no setor imobiliário antes de apostar na lucrativa promessa da energia eólica. "O hino nacional do Brasil diz que o país é gigante pela própria natureza", disse em 2017. Segundo ele, as pessoas associam sempre esse trecho do hino ao ouro ou outros tesouros subterrâneos, mas ele atribui essa riqueza ao "vento".

 

Tais fortunas sustentáveis provavelmente serão impulsionadas por capital. Os investidores – especialmente as empresas de gestão do património dos super-ricos (chamadas de ‘family offices) – focam as suas estratégias cada vez mais na sustentabilidade.

 

O TCI Fund Management, administrado pelo gestor de fundos de cobertura de risco Christopher Hohn, aconselhou recentemente as empresas do seu portfólio a intensificarem as ações de combate às alterações climáticas. Caso contrário, correm o risco de desinvestimento.

 

Se esse ambiente continuar a consolidar-se, poderá refazer o ranking global das fortunas.




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