Empresas Exportar, por vezes, é igual a falhar, dizem empresários portugueses

Exportar, por vezes, é igual a falhar, dizem empresários portugueses

Empresas deram o seu testemunho quanto aos mercados do Brasil, Rússia, Índia e China. Projectos que demoraram anos e outros que falharam são incidências comuns até se conseguir obter algum retorno do investimento.
Exportar, por vezes, é igual a falhar, dizem empresários portugueses
Alexandra Noronha 22 de setembro de 2015 às 14:42

Diferentes países, diferentes estratégias e nem sempre bem sucedidas. O "Roadshow Portugal Global", promovido pela AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) deu a conhecer, no Porto, diferentes experiências dos empresários portuguese nos mercados da China, Índia, Rússia e Brasil.

A Frezite, de José Manuel Fernandes (na foto) está em todos, depois de anos de investimento e aprendizagem dos mercados. O Brasil é um caso paradigmático. Nos anos 90, a empresa avançou para este mercado, com um sócio alemão e o projecto não correu bem. "Não se ajustava à cultura", lamentou o chairman da Frezite. A empresa regressou ao mercado em 2000, em Santa Catarina. "O comportamento no Brasil exige bom aconselhamento. Cuidado com os sócios e advisers", avisou o empresário.

Vítor Duarte, corporate controller da Sonae Sierra deu o exemplo da gestora de centros comerciais, que agora já está bem estabelecida no país. "Mandamos para lá o número dois da empresa, e durante dois anos zero [de retorno]. É uma mensagem de resiliência. Estivemos três anos sem nada. Agora temos lá cerca de 10 centros comerciais".

Sinais na economia chinesa existiam "há muito tempo"

O mercado chinês exige outro tipo de abordagem. O responsável da empresa de centros comerciais conta que a estratégia normal da Sonae Sierra não resultou neste país. "Temos uma longa experiência com fundos institucionais. E encontramos um na China com o qual fizemos sociedade. Não correu bem. Hoje temos uma equipa nossa 100% lá. O negócio é uma start up que vende serviços", adiantou Vítor Duarte.

José Manuel Fernandes, por sua vez, garantiu que os sinais de desaceleração da economia chinesa já existiam há muito tempo. "Muitos países estão a retirar encomendas na China e a por no seu próprio país. Estados Unidos, México, Vietname, Laos" estão a absorver produção que estava colocada naquele país, referiu o empresário.


Interdições na Rússia não impedem exportações

Miguel Vasco, CEO da Porto Union, uma empresa de distribuição de produtos agro-alimentares elegeu a Rússia como mercado principal logo na fundação da empresa, tendo em conta a experiência que tanto o empresário como o seu sócio tinham no país. Mais do que as interdições de que o mercado sofre neste momento, o empresário salienta a instabilidade do rublo como factor de risco. O negócio desvalorizou 80% de Setembro a Dezembro. "Ajustamos os preços para cima mas depois, com a valorização da moeda em de 35%, até Fevereiro acabamos por ganhamos dinheiro", referiu.

"Os russos em geral têm uma apetência enorme por produtos que encontram nas férias e que lhes elevem o patamar social", contou Miguel Vasco. E deu o exemplo da Sumol Compal, que tem trabalhado com a empresa para vender na Rússia. Depois de muitos testes, o produto que está com sinais positivos é o Essencial, algo que no início não estavam à espera. "O alvo é a classe média e alta. Que continua a existir e a ganhar o mesmo. Os produtos estão é 30 a 40% mais caros", referiu o empresário.

Já a Frezite optou por entrar neste mercado através de uma empresa checa, uma abordagem que José Manuel Fernandes diz fazer todo o sentido, dadas as proximidades culturais.


Índia tem sido uma experiência "cativante"

José Manuel Fernandes classifica a experiência da Frezite na Índia como "cativante" e alerta futuros investidores: "Não pensem em ir para lá à procura de mão-de-obra barata". O país, para o qual a empresa já exporta, "é o maior fabricante do mundo de motores para scooters e motas. Em fábricas que não fazem diferença das que existem na Alemanha", garantiu. O modelo não passa em ir para lá, mas em vender outro tipo de serviços, de valor acrescentado.

A Sonae Sierra está a estudar este mercado. Vítor Duarte referiu que a gestora de centros comerciais "tem lá uma equipa de prospecção". 




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