Start-ups Faber Ventures: "WebSummit é uma oportunidade mas não garante o futuro"

Faber Ventures: "WebSummit é uma oportunidade mas não garante o futuro"

A Faber Ventures recebe, "semana sim, semana sim", investidores ou empreendedores internacionais que ponderam lançar um negócio a partir de Portugal, diz o administrador executivo da empresa, avisando que a WebSummit é uma oportunidade mas "não garante o futuro".
Faber Ventures: "WebSummit é uma oportunidade mas não garante o futuro"
Miguel Baltazar
Lusa 20 de abril de 2016 às 09:03

"Semana sim, semana sim, nos últimos seis meses tivemos alguém em Portugal a falar connosco sobre oportunidades de investir ou criar empresas em Portugal, muitas vezes questionando-nos se temos interesse em olhar para eventual oportunidade de investimento (conjunto). Isso é cada vez mais frequente e vai continuar a acontecer", contou o fundador e administrador executivo da Faber Ventures, Alexandre Barbosa, à agência Lusa.

 

Trata-se de investidores ou empreendedores de segunda geração "que vêm dos EUA, por exemplo, e estão a pensar se vão montar o seu negócio em Lisboa, em Amesterdão, em Londres ou em Berlim", ou "de empreendedores de vários países da Europa que equacionam montar a sua próxima empresa a partir de Lisboa ou ainda investidores que querem saber melhor o que se passa".

 

É assim que acontece sobretudo depois do anúncio da vinda daquele que é apontado como o mais mediático evento europeu de 'startups' (empresas em início de actividade) de Dublin para Portugal, a WebSummit, e dos sucessivos anúncios sobre as rondas de investimento levantadas por empresas portuguesas, como Uniplaces,Talkdesk, Veniam ou Outsystems.

 

Mas, se por um lado, Alexandre Barbosa considera que a vinda da WebSummit "é uma tremenda oportunidade", por outro deixa um alerta: "Não é só por um evento passar por um país que de forma espontânea e de repente as 'startups' ficam cheias de capital e a crescerem globalmente".

 

"Estes eventos são de facto uma oportunidade, mas a responsabilidade dos ecossistemas onde eles se instalam ou por onde passam é fazer tudo o resto além do evento. O potencial de Portugal, no domínio das 'startups' e da nova geração de empresas de base tecnológica, cruza-se com o WebSummit, mas não se limita ao WebSummit", sublinha.

 

Disse ainda que não basta "ter políticas de atracção de investimento internacional", há também "que dotar os investidores portugueses de capacidade de investimento internacional para que também se possa atrair projectos e talento de fora para Portugal".

 

"E a prova disso é que a maior parte dos projectos em que investimos em Inglaterra acabaram por estender de alguma forma a sua operação a Portugal porque nós investimos lá", contou.

 

Alexandre Barbosa espera que o capital que o Governo já disse que vai estar disponível nos próximos meses no mercado português para apoio às 'startups' "venha com um mínimo de limitações, para que as 'startups' tenham condições de competir internacionalmente na atracção dos melhores investidores americanos ou europeus nas suas rondas de crescimento".

 

O fundador da Faber Ventures admite que "muito já mudou", mas há ainda muito a fazer, ao nível da regulamentação do quadro laboral, estabilidade e simplificação fiscal, simplificação dos instrumentos de financiamento e incentivos a programas de apoio.

 

Os instrumentos jurídicos associados a este tipo de operações de capital ainda não estão optimizados ao ponto de ser fácil lidar com eles, "cabendo aos vários agentes de mercado colaborar para se evoluir nesse sentido", afirmou.

 

A reboque das iniciativas que estão a ser lançadas, Alexandre Barbosa sugere que parte delas podiam ser mais claramente orientadas para atrair algumas das principais 'cabeças' da nova geração de engenheiros e potenciais empreendedores de áreas de competência de enorme potencial futuro, como 'machine learning', inteligência artificial ou 'data science'.

 

 

Faber Ventures lança processos de angariação de capital

 

A companhia iniciou processos de angariação de capital para reforçar os atuais veículos de investimento e a criação de um fundo institucional, que pretende activar dentro de um ano e permitirá criar um novo portfólio de 'startups' tecnológicas.

 

Criada em 2012, a Faber Ventures assume-se hoje como um veículo de investimento para 'startups' (empresas em início de atividade) tecnológicas, com cerca de nove milhões de capital comprometido, sendo a maior parte assegurada por investidores individuais e o restante pela Caixa Capital, enquanto parceiro institucional de investimento no veículo de 'seed capital' (capital semente) gerido pela Faber.

 

"O aumento do capital comprometido está neste momento em curso. Temos em curso dois processos de 'fundraising' [angariação de fundos] ", disse o fundador e administrador delegado da Faber Ventures, Alexandre Barbosa, em entrevista à Lusa.

 

Um dos processos está a ser lançado localmente, com o objetivo "aumentar o capital comprometido do actual veículo da Faber nos próximos meses", não só para acrescentar alguns novos investimentos ao portfólio, mas também para reforçar o investimento em rondas de 'follow on' (rondas subsequentes para crescimento) de algumas das empresas onde já investiram, assegurando assim capacidade de acompanhar investidores internacionais em co-investimento.

 

"Pretendemos criar um novo veículo de 'follow on' nos próximos meses para acompanhar algumas participadas ao longo das suas rondas de série A/B (crescimento). Estamos a falar com alguns investidores institucionais, investidores individuais e empresas que se têm mostrado abertas e interessadas e que assim ainda podem beneficiar de participar no atual portfólio", disse Alexandre Barbosa.

 

Além deste, a empresa iniciou a nível internacional um outro processo de 'fundraising' para a criação de um segundo fundo "significativamente maior do que o actual", seguindo a mesma estratégia de investimento, mas com maior alcance geográfico e em termos de capacidade de 'follow on' das 'startups'.

 

"Esperamos reunir condições para activar o novo fundo dentro de aproximadamente um ano. Pretendemos angariar capital com capacidade de criar um segundo portfólio de mais 25 a 30 empresas. Neste momento, temos 19 empresas no actual portfólio, que deverá fechar com 21 ou 22 este ano", antecipou Alexandre Barbosa.

 

O co-fundador da Faber Ventures e o seu sócio alemão, Felix Petersen, estão "a iniciar contactos a nível internacional com fundos e 'family offices' (empresas de consultoria que ajudam uma empresa privada e famílias ricas a gerir o seu património) que já têm um histórico de investimento neste tipo de activo de capital de risco e "têm mostrado interesse em olhar para a oportunidade de apoiar o projecto de criação de um operador de referência a partir da Ibéria".

 

A estratégia da Faber Ventures passa sobretudo pelo investimento nas fases iniciais das 'startups', com as chamadas rondas 'pre-seed' e 'seed', as primeiras destinadas à fase da ideia da empresa, num valor médio de até 200 mil euros, e as segundas quando a empresa já está lançada, tem os primeiros clientes e começa a dar provas no mercado, rondando o investimento entre os 750 mil euros e os 1,5 milhões de euros.

 

Também investe em 'post-seed', que apoia 'startups' na preparação da angariação da primeira ronda de capital de crescimento ('série A'), tipicamente liderada por investidores internacionais.

 

Além do investimento financeiro, a Faber Ventures apoia os empreendedores com aconselhamento e assessoria ao nível de produto (tecnologia, 'design') e negócio (estratégia de financiamento, 'marketing').

 

Entre os seus investimentos, conta com empresas como a Seedrs, a Unbabel, a Hole19, a Codacy, a Chic by Choice, a Zaask, a Liquid ou a Advicefront, cofundadas por empreendedores nacionais, ou a Gitter, a NomNom ou a Mainframe, por empreendedores internacionais.

 

A Faber Ventures tem coinvestimentos 'seed'  com os principais investidores portugueses, como a Caixa Capital, a Shilling Capital Partners, sociedade de Business Angels, Portugal Ventures (sociedade pública de capital de risco), e internacionais, como a Index Ventures, White Star Capital, e investidores alemães.

 

Com uma equipa de 12 pessoas, dividas ente o eixo Lisboa-Londres (geografia estratégica para potenciar coinvestimentos com fundos em rondas de crescimento) e recentemente Berlim, a Faber Ventures tem um portfólio onde metade das empresas estão em Inglaterra, a outra metade em Portugal, uma delas na Alemanha e outra na Bélgica.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI