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Félix Morgado diz que sai do Montepio por não "ceder a interesses"

Sem agradecimentos à associação mutualista, Félix Morgado deixa palavras ao Banco de Portugal e aos trabalhadores. "Teria sido mas fácil acomodar pedidos ou ceder a promessas", diz na mensagem final aos trabalhadores.

Miguel Baltazar
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José Félix Morgado atribui a saída da presidência executiva do Montepio ao facto de ter sido fiel aos princípios e por não ter cedido a "interesses". Não os identifica [interesses], mas deixa palavras de agradecimento aos trabalhadores, ao conselho geral e de supervisão e ao Banco de Portugal. O accionista, a associação mutualista liderada por António Tomás Correia, não é mencionado.

 

"Saio porque fui fiel aos meus princípios éticos e profissionais, sem ceder a interesses que não sejam os da instituição e dos trabalhadores. Teria sido mais fácil acomodar pedidos ou ceder a promessas", escreve o ex-presidente executivo da instituição financeira, na "mensagem final de agradecimento à Caixa Económica Montepio Geral", divulgada inicialmente pelo jornal Eco a que o Negócios teve acesso.

 

Para Félix Morgado, que será substituído por Carlos Tavares no leme da maior caixa económica do país, "é difícil ser vertical, sério, honrado e garantir um governo societário rigoroso". "O reforço do governo societário e do sistema de controlo interno" são dois pontos que o gestor bancário frisou no documento enviado aos trabalhadores. De qualquer forma, agora que sairá, os novos estatutos vão levar a uma nova modificação na estrutura de poder da caixa. 

 

Félix Morgado entrou para presidente do conselho de administração executivo do Montepio em Agosto de 2015, substituindo Tomás Correia, que teve de ficar apenas na presidência da mutualista. A mudança na forma de governo da instituição foi uma das suas tarefas, o que acabou por levar a divergências com o líder do seu accionista único.

 

Aliás, a mutualista é uma entidade não mencionada na mensagem do antigo presidente. José Félix Morgado diz ter cumprido a missão que lhe tinha sido "confiada" e agradece a várias entidades. "Sempre na linha da frente. Sempre só. Sempre apenas com os colegas do conselho de administração executivo que comungam dos mesmos valores. Sempre com o vosso suporte. Sempre com a solidariedade do conselho geral e de supervisão. Sempre com a contínua colaboração, proximidade e confiança do Banco de Portugal". O supervisor esteve bastante presente na sua vida na instituição.

 

Ao longo da carta, o gestor foi deixando pistas sobre os opositores que encontrou no seu mandato, que terminou, aliás, antecipadamente: deveria estender-se até ao final deste ano. Diz que os indicadores económicos e financeiros definidos em 2015, quando entrou na instituição, foram cumpridos. "Quer alguns queiram, quer não, eles são positivos".

 

"Cumpri a missão que me foi confiada", frisa Félix Morgado, que saiu da Inapa para ir presidir à instituição financeira em 2015. O trabalho que desenvolveu – em equipa, como sublinha – "permitiu devolver à Caixa Económica Montepio Geral a reputação, notoriedade e rentabilidade que são os pilares da sustentabilidade". 

Carlos Tavares sobe esta quarta-feira, 21 de Março, a presidente da administração e presidente executivo da instituição. Dentro de seis meses, terá de deixar o cargo executivo, ficando apenas como "chairman". A relação com o accionista é uma das suas principais tarefas.

A mensagem é de agradecimento, mas Félix Morgado deixa um legado ao ex-presidente da CMVM: "Pedimos o vosso sacrifício nas actualizações salariais e progressão de carreira mas, em simultâneo, abrimos a possibilidade de uma maior partilha dos resultados que se deve iniciar já em 2018".  

(Notícia actualizada às 14:35 com mais informações)





 

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