Indústria Fepsa investe na fábrica para “tirar” um milhão de chapéus

Fepsa investe na fábrica para “tirar” um milhão de chapéus

A produtora de feltros de pêlo para chapéus aplicou 3,6 milhões de euros para aumentar a capacidade industrial em S. João da Madeira. Aquisição em Sevilha segue “consolidação ibérica” da indústria de chapelaria.
Fepsa investe na fábrica para “tirar” um milhão de chapéus
Ricardo Figueiredo. ex-autarca de S. João da Madeira, ocupa actualmente a presidência executiva da Fepsa.
Paulo Duarte
António Larguesa 15 de fevereiro de 2018 às 22:00

A Fepsa acaba de completar um investimento de 3,6 milhões de euros para aumentar a fábrica de S. João da Madeira, que em dois anos passou de 6.000 para 8.000 metros quadrados. A capacidade industrial da histórica produtora de feltros ascendeu neste período, iniciado em Maio de 2015, de 750 mil para um milhão de chapéus por ano.

Segundo detalhou ao Negócios o director financeiro, Nuno Santos, o apoio do Portugal 2020 neste projecto rondou os 40%. É que, do montante global de investimento, 2,3 milhões de euros foram objecto de uma candidatura a fundos comunitários ao abrigo do programa Norte 2020, tendo sido "concedido um apoio em forma de subsídio reembolsável de 1,39 milhões de euros", ou seja, equivalente a 60% do valor candidatado.

No ano passado, esta empresa fundada em 1969 facturou 15,5 milhões de euros. Dos 850 mil chapéus de pêlo e de lã ali fabricados, 99% foram exportados para mais de duas dezenas de países. EUA, Israel e Austrália são os mais valiosos, com expressão na lista de mais vendidos: o de "cowboy", o usado pelos judeus ortodoxos e o típico australiano, além dos chapéus de moda de senhora, afamados em França e vendidos a casas de alta-costura como Hermès e Prada.

Os feltros que ganharam fama ao assentar nas cabeças famosas de George W. Bush, Carlos Santana, Johnny Depp ou Harrison Ford são produzidos por 300 trabalhadores em S. João da Madeira, no distrito de Aveiro. "Competitivo não tanto pelo preço, mas pela qualidade e por produzir pequenas séries, adaptadas às especificações dos clientes e com prazos de entrega curtos", como sustentou o CEO, o negócio é controlado pela família Figueiredo, com Ricardo e os dois irmãos a deterem 85%.

Dar no pêlo e em Sevilha
Especialista em feltros de pêlo de coelho, castor e lebre, numa lista restrita com menos de uma dúzia de fabricantes e quota de mercado mundial de quase um terço, a Fepsa tem ligação accionista a uma outra empresa daquela localidade, a Cortadoria Nacional de Pêlo, que lhe fornece essa matéria-prima e garante assim "alguma segurança na cadeia de abastecimento".

Fora do país, a empresa liderada por Ricardo Figueiredo, ex-autarca de S. João da Madeira, comprou há três anos uma participação na Industrias Sombrereras Españolas, passando a ser o maior accionista dessa produtora de chapéus sevilhana, criada em 1885. A Fernández y Roche, como é conhecida no mercado, compra os feltros à Fepsa, com quem tem "uma relação especial", sendo esta aquisição enquadrada pelo gestor português numa "consolidação da indústria de chapelaria à escala ibérica".




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