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Fino abate 300 milhões à dívida que contraiu para comprar acções do BCP

Manuel Fino, accionista de referência do BCP, vendeu ontem 9,584% da Cimpor à Caixa Geral de Depósitos (CGD), no âmbito de um acordo de reestruturação do financiamento que o empresário contraiu junto do banco público para, entre outros investimentos, comprar acções do Millennium.

Maria João Gago mjgago@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2009 às 07:50
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Manuel Fino, accionista de referência do BCP, vendeu ontem 9,584% da Cimpor à Caixa Geral de Depósitos (CGD), no âmbito de um acordo de reestruturação do financiamento que o empresário contraiu junto do banco público para, entre outros investimentos, comprar acções do Millennium.

Aquela operação, que rendeu ao investidor 306 milhões de euros, permitiu a Fino saldar mais de metade do crédito em dívida à CGD, como o Negócios noticiou ontem. Mas não dá margem para que o empresário contraia novos empréstimos para reforçar a sua exposição ao BCP.

O negócio põe fim a uma longa negociação entre a Investifino, "holding" pessoal do empresário, e a Caixa, no sentido de reestruturar o financiamento obtido para comprar acções do BCP, da Cimpor e da Soares de Costa. A reestruturação tornou-se inevitável devido à desvalorização bolsista destes activos, que serviam de garantia aos créditos. No âmbito das negociações, chegou a estar em cima da mesa a possibilidade de Fino entregar metade da sua posição na Cimpor mediante um contrato de dação em pagamento, mecanismo de liquidação da dívida ontem noticiado pelo Negócios. No entanto, o acordo final acabou por se reflectir em dois contratos, um de venda de acções e outro de renegociação do passivo.

O contrato de compra e venda de acções da Cimpor, a 4,75 euros por título (25% acima do valor de mercado), dá a Fino uma opção de recompra dos 9,584% da cimenteira ao longo dos próximos três anos. Em alternativa, a Investifino tem ainda a possibilidade de designar outra entidade para comprar aquela participação na Cimpor.

Independentemente do que possa acontecer nos próximos três anos, o empresário continuará a ter uma posição de relevo na empresa (10,675%), mantendo-se como terceiro maior accionista e salvaguardando o direito de ter um representante no conselho de administração.

Já a reestruturação do passivo financeiro, prevê a liquidação de mais de 300 milhões de euros do valor em dívida e o alargamento do prazo do financiamento para um total de sete anos.

O acordo entre Fino e a CGD dá estabilidade à Investifino para prosseguir a sua aposta na construtora Soares da Costa, que controla a 70%, e para manter a sua posição de 1,565% no BCP. Até porque estes dois activos ficaram a salvo das negociações.

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