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Fitch prevê “fraco desempenho da banca portuguesa em 2013”

A agência de notação financeira acredita que a banca nacional vai continuar sob pressão, essencialmente devido ao contexto económico em Portugal e às necessidades de capital. A penalizar a actividade dos bancos estará a queda da economia e o elevado desemprego. Ainda assim, a Fitch tem previsões menos pessimistas que Bruxelas.

Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2013 às 11:38
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“Prevemos um novo aumento dos encargos com o crédito malparado” nas operações em Portugal, “especialmente porque esperamos que o PIB português caia 1,5% e o desemprego atinja os 16,5% este ano”, diz a Fitch numa nota publicada esta quarta-feira. Estas previsões para a economia nacional são menos pessimistas do que as divulgadas pela Comissão Europeia, na última sexta-feira. Bruxelas publicou o boletim de Inverno onde consta que o produto interno bruto (PIB) deverá contrair 1,9% e o desemprego ascender aos 17,3%, este ano.

 

A agência salienta que “também há o risco de um aumento de provisões em relação a outros activos, como por exemplo activos imobiliários”, apesar de, como aconteceu noutros países europeus, Portugal não ter vivido uma bolha imobiliária.

 

“Esperamos que o desempenho da banca portuguesa em 2013 seja fraco, devido ao facto de a pressão sobre as margens persistir com custos mais elevados no retalho, às taxas de juro baixas e ao custo de capital” com os fundos do Estado, injectados em alguns bancos portugueses. A agência adianta que “os esforços de aumentar os ‘spreads’ nos empréstimos não deverão anular por completo” estas questões.

 

A Fitch realça as “perspectivas de crescimento nas operações no estrangeiro”, algo que apenas poderá ajudar o BPI e o Millennium já que são os únicos bancos, analisados pela agência, “com uma presença internacional relevante.” Já em relação às actividades desenvolvidas em países de língua portuguesa, neste caso em países africanos, “não deverão compensar totalmente o desempenho doméstico mais fraco”.

 

A agência diz ainda que novos cortes de custos podem “estabilizar os resultados”, ainda que “muito já tenha sido feito, com as operações reduzidas e optimizadas.” A Fitch salienta que os custos dos bancos diminuíram “entre 3,2% e 10,7% em 2012 nos quatro maiores bancos” seguidos pela agência – CGD, Millennium, BPI e Santander Totta.

 

Mas, na óptica da Fitch, não é apenas a pressão sobre as margens e a rentabilidade que descreve a actualidade dos bancos portugueses, estes “também beneficiam de melhorias de capital, de fundos e liquidez”, além de já terem observado uma melhoria no rácio empréstimos/depósitos.

 

Quanto ao financiamento da banca, a agência salienta que têm surgido algumas oportunidades de emissão de dívida, mas esta pode ser uma janela que estará aberta por pouco tempo. Daí que a estratégia dos bancos deverá continuar a assentar “na redução de empréstimos e na atractividade dos depósitos”.

 

O recurso ao Banco Central Europeu (BCE) deverá manter-se elevado até que os mercados normalizem, ainda que a Fitch admita que deva vir a diminuir.

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