Banca & Finanças FMI considera que banca portuguesa pode precisar de mais aumentos de capital

FMI considera que banca portuguesa pode precisar de mais aumentos de capital

A herança do malparado continua a pesar. Tem de haver esforços conjuntos para a sua diminuição adicional. E uma solução pode ser mais aumentos de capital.
FMI considera que banca portuguesa pode precisar de mais aumentos de capital
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 23 de fevereiro de 2018 às 15:44

A banca pode ainda não se ter visto livre de aumentos de capital. Na óptica do Fundo Monetário Internacional (FMI), para que as instituições financeiras reconheçam mais créditos malparados como perdidos, os accionistas podem ter de injectar mais capital.

 

"Tendo em conta a dimensão da herança de crédito malparado e as almofadas de capital disponíveis, podem ser necessários aumentos de capital adicionais", indica a equipa do Fundo Monetário Internacional no relatório da sexta avaliação do pós-programa de ajustamento, divulgado esta sexta-feira, 23 de Fevereiro.

 

Os bancos têm feito o seu caminho – e esta é uma afirmação que é repetida pelas várias autoridades nacionais, desde o supervisor Banco de Portugal ao próprio Governo. O FMI também o reconhece. "Embora a estabilidade financeira tenha melhorado no último ano, o elevado nível de malparado limita a capacidade interna dos bancos para gerar retornos mais fortes e para aumentar o seu capital", contrapõe a instituição presidida por Christine Lagarde. 

 

Para o FMI, tem de haver um controlo apertado dos supervisores para que os bancos sigam os planos com que se comprometeram para a diminuição da carteira de malparado, lembrando os passos dados para esse caminho: a plataforma de gestão comum, constituída pela CGD, BCP e Novo Banco, e as alterações legislativas para uma mais rápida recuperação de empresas. 

O montante dos NPE ("non performing exposures"), em que o crédito malparado é o principal activo, ascendia a 42,3 mil milhões de euros em Junho deste ano. 

De qualquer forma, é certo que o FMI considera que há um enquadramento que permite um trabalho mais acelerado de limpeza do balanço dos bancos, tal como o Banco Central Europeu já alertou: "Há razões tanto ciclícas como estruturais (incluindo o ambiente de baixas taxas de juro e as alterações regulatórias futuras) para aprofundar os esforços de transformação dos modelos de negócio dos bancos para assegurar uma rentabilidade sustentável".

É certo que os bancos voltaram aos lucros em 2017 (o Novo Banco, que ainda não apresentou contas, é uma excepção), mas os resultados líquidos positivos no futuro são um desafio - até por conta do enquadramento regulatório
 

Não pode haver venda apressada

 

A perspectiva das autoridades portuguesas é a de que os esforços estão a ser feitos. Mas não pode ser tudo concretizado de repente: "A implementação da estratégia de corte nos créditos malparados está a decorrer", dizem em resposta ao FMI. Contudo, "as estratégias de vendas de activos precisam de ter em conta o enquadramento regulatório europeu (Directiva da Recuperação e Resolução Bancária, regras de ajudas de Estado) e qualquer potencial impacto nas contas públicas".

 

Daí que haja uma defesa por parte das autoridades ouvidas pelo FMI: "uma corrida à alienação de activos pode resultar numa excessiva erosão de capital dos bancos e outros impactos injustificados na economia". 




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