Banca & Finanças Fundador de compradora de seguros de Montepio e da Partex sob investigação na China

Fundador de compradora de seguros de Montepio e da Partex sob investigação na China

Ye Jianming, que fundou a CEFC China Energy, está a ser investigado, segundo a imprensa chinesa. A turbulência já é sentida no mercado, mas a empresa - que está compradora da Montepio Seguros e da Partex - mantém-se em silêncio.
Fundador de compradora de seguros de Montepio e da Partex sob investigação na China
Reuters
Diogo Cavaleiro 01 de março de 2018 às 10:22

O fundador do grupo chinês CEFC China Energy está a ser investigado na China, segundo está a ser avançado pela chinesa Caixin. Ye Jianming é o presidente da administração do grupo que está a tentar adquirir a posição de controlo na Montepio Seguros e a comprar a Partex à Fundação Gulbenkian.

 

A notícia da investigação e de uma eventual detenção foi avançada pela Caixin, mas sem grandes pormenores. A Reuters adianta, com base numa fonte anónima, que a investigação prende-se com suspeitas de crimes económicos, sendo que Jianming já ter foi ouvido pelas autoridades chinesas.

 

O Financial Times acrescenta que os rumores de uma investigação ao magnata chines circulavam já há uma semana.

 

O Negócios também já enviou questões ao grupo, não tendo ainda obtido resposta. De qualquer forma, a CEFC não respondeu nem à Bloomberg, nem à Reuters.

 

O maior negócio em torno da empresa é a proposta de aquisição de uma participação de 14% na petrolífera russa Rosneft por 9 mil milhões de dólares (7,4 mil milhões de euros, ao câmbio actual), operação iniciada no ano passado. A empresa russa recusou-se a comentar o tema, para não interferir em assuntos internos chineses. Segundo a Bloomberg, a companhia russa tem um contrato de fornecimento de petróleo de cinco anos com o grupo chinês.

 

Já o checo J&T Finance Group, onde o conglomerado chinês detém 9,9% do capital, considerou que as suas operações não são afectadas pela investigação em causa.

 

Reacção dos mercados

 

Os mercados já começaram a reagir às notícias. O preço dos títulos de dívida da CEFC Shanghai International Group, que pertence ao conglomerado, desceu para níveis recorde, o que reflecte a subida das rendibilidades pedidas pelos investidores, como consequência da percepção de maior risco. A Bloomberg refere que a negociação esteve suspensa no mercado de Xangai.

 

De acordo com a edição inglesa da Caixin, a CEFC Anhui International Holding afirmou que o presidente da CEFC China Energy não está "directamente relacionado" consigo, não tendo o controlo desta subsidiária. Certo é que as suas acções deslizaram mais de 10% na sessão.

 

Duas operações por concluir em Portugal

 

O grupo centrado na indústria petrolífera tem vindo a crescer nos últimos anos, através de aquisições em África e na Europa de Leste. Portugal não escapa à expansão.

 

Em Portugal, o grupo chinês tem duas operações por concluir. Nenhuma destas transacções está, porém, terminada. A compra de 60% da Montepio Seguros, onde se destaca a Lusitania, foi o primeiro negócio a ser anunciado no âmbito de uma "cooperação empresarial multi-dimensional" entre a mutualista do Montepio e o grupo chinês.

 

Aliás, a operação visava uma presença mais próxima do grupo no país: "O CEFC vai estabelecer a sua sede financeira em Portugal e levar a cabo a cooperação no investimento em diversos campos como o ramo financeiro, imobiliário, infra-estrutura, telecomunicações e vinho".

 

Neste momento, o regulador, a ASF, está a analisar o processo de venda da seguradora. "A ASF poderá, no final do processo, não se opor ou opor ao requerido, consoante considere ou não demonstrado que a pessoa em causa reúne condições que garantam uma gestão sã e prudente da empresa de seguros ou de resseguros", disse ao Negócios a autoridade presidida por José Almaça.

 

O presidente da vendedora (a associação Montepio), António Tomás Correia, vê na operação não uma venda do controlo, mas sim a procura por um parceiro para permitir a viabilidade da companhia seguradora.

 

A Partex é outra das aquisições deste grupo em Portugal. Os chineses estão a negociar a aquisição da petrolífera, que representava, em 2017, 18% dos activos da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Dúvidas sobre financiamento

 

A notícia desta quinta-feira, 1 de Março, não é a primeira que envolve o grupo chinês, descrito pela imprensa internacional como "opaco". À Bloomberg, o analista da Jefferies Laban Yun sublinhou que o "maior mistério" em torno da empresa é mesmo como conseguiu tanto dinheiro para sustentar a rápida expansão que verificou nos últimos anos. O grupo foi fundado em 2002, por Ye Jianming, segundo o site oficial.


A Reuters também escreveu, em Janeiro do ano passado, que as ambições de crescimento do grupo caminhavam em paralelo aos poucos conhecimentos sobre a sua propriedade e o seu financiamento.




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comentários mais recentes
Anónimo 01.03.2018

Fundação Calouste Gulbenkian mais uma vez a mostrar com quem vai p cama...

Anónimo 01.03.2018

Estes negócios internacionais estão para alem da compreensâo da generalidade dos cidadaos.O que se dveria explicar é o risco de venda dos ativos a multinacionais ou empresa estrangeiras.Onde se pagam os impostos e para onde vao os lucros e em causa de falência o que acontece.

Amigos do regime... 01.03.2018

É uma limpeza... ficam todos bem... menos o povo! Mas o povo gosta de ser roubado e enganado...

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