Comércio Gant volta a Portugal com ex-diretora da falida Ricon

Gant volta a Portugal com ex-diretora da falida Ricon

A marca de vestuário reabriu a primeira loja no país após a falência do grupo têxtil que detinha a rede de distribuição. A nova operação é chefiada por uma antiga gestora comercial e controlada diretamente pela multinacional sueca.
Gant volta a Portugal com ex-diretora da falida Ricon
A primeira loja da "nova" Gant abriu em janeiro no Freeport, em Alcochete,
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António Larguesa 08 de fevereiro de 2019 às 12:33

A Gant está de volta ao mercado português, um ano depois de terem encerrado as cerca de 20 lojas de vestuário que tinha no país na sequência da falência do grupo têxtil Ricon, com quem a marca de origem americana tinha um acordo exclusivo de distribuição desde os anos 1990.

 

Após o desaparecimento do grupo de Famalicão, incluindo a empresa (Delveste) que detinha a operação de retalho e empregava 200 pessoas, a multinacional decidiu interromper o modelo adotado há mais de duas décadas e assumir diretamente a gestão da rede comercial em Portugal, através de uma subsidiária da casa-mãe que tem sede na Suécia.

 

A primeira loja reabriu em janeiro de 2019 no Freeport, um conhecido outlet de moda localizado em Alcochete, nas imediações de Lisboa. À frente da nova operação portuguesa está Berta Oliveira, que trabalhou no grupo Ricon durante três décadas, das quais os últimos 12 anos como diretora comercial da empresa que controlava a rede exclusiva de lojas no país.

 

 

Contactada pelo Negócios, a gestora que nas anteriores funções já era o principal elemento de ligação com a sede em Estocolmo para as áreas relacionadas com o comércio internacional, confirmou apenas a reentrada da marca de vestuário em Portugal através deste modelo direto. No entanto, Berta Oliveira recusou, para já, prestar mais esclarecimentos sobre a estratégia e o planeamento da nova rede comercial, que deverá combinar lojas de rua e em centros comerciais.

 

Menos lojas na busca pela reputação perdida

 

Em março de 2018, o então presidente executivo da Gant, Patrik Nilsson, já tinha garantido ao Negócios que "não [estava] à procura de outro parceiro" comercial em Portugal, seguindo o exemplo de países como Suécia, Inglaterra, França ou Alemanha. O executivo que foi substituído em junho por Brian Grevy admitiu também que o número total de lojas portuguesas ficaria abaixo das anteriores duas dezenas, pois "a tendência é ter menos lojas em qualquer dos mercados", até pelo "crescimento rápido" do comércio eletrónico.

 

Com presença comercial no país desde 1992, no início desta década Portugal chegou a ser o melhor mercado internacional para a Gant em termos de vendas per capita, ou seja, em função do número de habitantes do país. Uma posição forte que "começou a cair muito rapidamente" devido à crise no mercado interno e sobretudo às crescentes dificuldades financeiras do anterior parceiro português.

 

Em 2017, que culminou com o processo de insolvência do grupo liderado por Pedro Silva e o consequente impacto na reputação da marca, as vendas da Gant em Portugal – onde continuou a fabricar com outros fornecedores têxteis, mesmo antes do desaparecimento da Ricon – tiveram uma quebra homóloga de 18%, em contraciclo com o crescimento de dois dígitos registado a nível mundial.




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