Banca & Finanças Governador do Banco de Itália admite que o Estado poderá ter de intervir nos bancos

Governador do Banco de Itália admite que o Estado poderá ter de intervir nos bancos

Ignazio Visco afirma que os problemas da banca, a braços com grandes montantes de crédito malparado, poderão minar a confiança na indústria financeira do país.
Governador do Banco de Itália admite que o Estado poderá ter de intervir nos bancos
Reuters
Negócios 08 de julho de 2016 às 13:36

O governador do Banco de Itália, Ignazio Visco, admitiu que os bancos do país poderão precisar da intervenção do Estado devido ao risco de as actuais dificuldades do sector minarem a confiança na indústria financeira de Itália.

"Dado o risco de, num contexto de elevada incerteza, problemas limitados poderem minar a confiança no sistema bancário, a intervenção pública não pode ser excluída", reconheceu o governador num discurso proferido esta sexta-feira na reunião anual da Associação Italiana de Bancos, em Roma.

As autoridades italianas estão a tentar encontrar uma solução para resolver o problema do crédito malparado na banca, que ronda os 250 mil milhões de euros. Cerca de 85 mil milhões estão nas mãos de apenas quatro bancos, entre eles o Monte dei Paschi, que já foi avisado pela autoridade monetária da Zona Euro de que deverá reduzir o crédito malparado de 24,2 mil milhões de euros para 14 mil milhões nos próximos quatro anos.

Visco, que também faz parte do Conselho de Governadores do BCE, disse ainda que o Banco de Itália está "a trabalhar em conjunto com outras autoridades, com determinação, para promover intervenções de mercado eficientes" de forma a apoiar os bancos do país.

No entanto, as conversações entre o governo italiano e a Comissão Europeia sobre a recapitalização do Monte dei Paschi e outros bancos estão num impasse. Segundo avançou a Bloomberg, esta quinta-feira, citando fonte próxima das negociações, a questão que gera desacordo é se os credores privados deverão enfrentar perdas no caso de serem usados fundos públicos para recapitalizar as instituições financeiras.

 

De acordo com a mesma fonte, o governo de Matteo Renzi quer avançar com um plano de financiamento público ao sector financeiro ao abrigo das regras de resolução da União Bancária, que permitem aos governos financiar bancos caso estes revelem falhas de capital nos testes de stress. Itália estará a argumentar que, neste cenário, não deverá haver custos para os obrigacionistas, porque as regras não forçam a partilha de encargos sobre perdas hipotéticas.

 

Ora o plano de Renzi vai de encontro às regras da União Bancária que, desde Janeiro, exigem que os credores privados e os depositantes com mais de 100 mil euros sejam chamados a participar das necessidades de financiamento, na hierarquia da procura de soluções.

"Itália e a Comissão ainda estão muito longe de chegar a um acordo porque a sua interpretação das regras difere", explica a fonte citada pela agência noticiosa.




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