Banca & Finanças Governo admite injecção de mais dinheiro no Novo Banco

Governo admite injecção de mais dinheiro no Novo Banco

O secretário de Estado adjunto e das Finanças, que diz não ter ainda conhecimento das contas finais de 2017 do novo Banco, admite que o Estado tenha que injectar mais dinheiro no Fundo de Resolução para que este possa recapitalizar o sucessor do BES.
Governo admite injecção de mais dinheiro no Novo Banco
Bruno Simão/Negócios
Rui Neves 24 de fevereiro de 2018 às 10:22

Ricardo Mourinho Félix acredita que o Novo Banco vai apresentar maus resultados relativos ao exercício de 2017 - "tudo indica que terá um prejuízo", admitiu o secretário de Estado adjunto e das Finanças, em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, alegando que "o Ministério das Finanças não conhece o resultado dessas contas".

 

Ora, de acordo com fontes contactadas pelo Negócios, o Novo Banco deverá apresentar prejuízos entre 1,6 e 1,8 mil milhões de euros no exercício do ano passado.

 

Perante este cenário, o número dois da equipa de Mário Centeno admitiu que o Estado tenha que injectar mais dinheiro no Fundo de Resolução para que este possa recapitalizar a instituição financeira.

 

"Se [o Fundo de Resolução] não tiver os meios financeiros, recorrendo a todos os meios que tem disponíveis, então poderá, ao abrigo do acordo-quadro, pedir um financiamento ao Tesouro", afirmou o governante.

 

Mourinho Félix ressalvou, a este propósito, que o Fundo de Resolução "é uma entidade pública, mas financiada com contribuições dos bancos, e serão essas contribuições que serão utilizadas para fazer o pagamento." Neste caso, lembrou, "o papel do Estado é apenas, enquanto agente financiador do fundo de resolução, pedir um empréstimo".

 

De qualquer forma, garantiu, com este empréstimo ao Fundo de Resolução "não deverá haver nenhum impacto adicional" na dívida pública portuguesa.

 

Questionado sobre os cálculos de Vítor Bento, que disse que a resolução do BES pode vir a custar dez mil milhões de euros ao país, o secretário de Estado adjunto e das Finanças considerou essa estimativa "um valor excessivo", recordando que "está pré-definido de injecções de capital de 850 milhões de euros, no máximo, em cada ano".




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