Empresas Governo angolano não vê "inconveniente nenhum" para que a SIC retome emissões em Angola

Governo angolano não vê "inconveniente nenhum" para que a SIC retome emissões em Angola

O Governo angolano garantiu hoje à agência Lusa não ver "inconveniente absolutamente nenhum" para que a SIC volte a emitir em Angola, indicando que tudo depende agora das negociações da estação de televisão portuguesa e os distribuidores.
Governo angolano não vê "inconveniente nenhum" para que a SIC retome emissões em Angola
Lusa 30 de agosto de 2018 às 20:41

"Da parte do executivo, tal como já foi comunicado pelo Ministério da Comunicação Social [de Angola] à administração da SIC, não há inconveniente absolutamente nenhum para que a SIC transmita a sua emissão normalmente para o território angolano", disse à Lusa o secretário de Estado da Comunicação Social, Celso Malavoneke.

 

"Obviamente que os detalhes operacionais e comerciais têm a ver com a SIC e com os distribuidores, que podem ou não chegar a acordo. É isso que vai determinar quando é isso vai acontecer. O que dissemos e reiteramos é que, da parte do executivo angolano, não há inconveniente absolutamente nenhum para que a SIC faça as suas transmissões em Angola", acrescentou o governante angolano.

 

Na terça-feira, a estação de televisão portuguesa noticiou que a SIC Notícias e a SIC Internacional "estão em condições de poder voltar a ser vistas em Angola", após mais de um ano sem transmissões naquele mercado.

 

As emissões dos dois canais da SIC foram interrompidas no ano passado, alguns meses antes das eleições que marcaram o fim da presidência de José Eduardo dos Santos, com a eleição de João Lourenço como Presidente da República.

 

A SIC Internacional emitia em Angola desde agosto de 2000 e a SIC Notícias desde Novembro de 2003.

 

No início de Junho do ano passado, a operadora de televisão por subscrição Multichoice, através da plataforma internacional DStv, deixou de transmitir os canais SIC Notícias e SIC Internacional África em Angola.

 

Uma decisão que se seguiu à decisão tomada pela Zap, outra das duas operadoras generalistas em Angola, que, em 14 de Março de 2017, tinha interrompido a difusão dos dois canais nos mercados de Angola e Moçambique, o que aconteceu depois de o canal português ter divulgado reportagens críticas ao regime de Luanda.

 

A Zap, que iniciou a sua actividade no mercado angolano em Abril de 2010, é detida em 30% pela operadora portuguesa NOS, sendo o restante capital detido pela Sociedade de Investimentos e Participações, da empresária angolana Isabel dos Santos, filha do ex-chefe de Estado de Angola.

 

Em Junho do ano passado, antes das eleições presidenciais angolanas, Isabel dos Santos escreveu que a SIC era "muito cara" e que a exclusão dos canais do grupo português Impresa era uma decisão comercial.

 

"A inconfessável ganância comercial do milionário Pinto Balsemão. Em Angola quer encaixar pela SIC um milhão de euros por ano. A comparar com a BBC, 33 mil euros por ano, ou a Al Jazeera, 66 mil euros por ano", escreveu, na altura, a empresária angolana nas redes sociais, salientando que a exclusão da transmissão daqueles dois canais era "comercial e não política".

 

As eleições em Angola decorreram em 23 de agosto, sendo que José Eduardo dos Santos, Presidente da República do país desde 1979, já não concorreu neste sufrágio.




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