Turismo & Lazer Governo quer recuperar casas florestais para alojar turistas

Governo quer recuperar casas florestais para alojar turistas

Após identificadas as casas florestais a recuperar, será criado um fundo imobiliário. Estes activos chegam depois ao mercado, fazendo-se a ponte com hóspedes. A ideia não é nova mas encontra agora vontade política.
Governo quer recuperar casas florestais para alojar turistas
Wilson Ledo 15 de abril de 2018 às 22:00
Governo quer recuperar casas florestais degradadas para dar força ao turismo de natureza. A intenção vem plasmada no Programa Nacional de Reformas, documento a que o Negócios teve acesso.

Para cumprir esta vontade, numa primeira fase, serão identificados os imóveis que integrarão este novo programa. Segundo os dados disponíveis no "site" do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, entidade responsável pela gestão florestal, existem cerca de mil casas florestais espalhadas por todo o país.

Depois dessa primeira etapa, será constituído um fundo de investimento imobiliário, cujo nome provisório é Turismo Natureza, para se proceder à "colocação das casas no mercado" e respectiva dinamização turística, segundo é possível apurar no documento.

Com a criação de uma rede e de uma marca para as casas de turismo de natureza, o Governo quer dinamizar estas construções. Apesar de algumas ainda servirem de habitação a guardas florestais, a larga maioria encontra-se abandonada. Assim, com este programa, é possível "reabilitar e valorizar património", considera o Executivo.

O Negócios questionou a Secretaria de Estado do Turismo sobre prazos de lançamento e execução, montantes envolvidos, extensão desta rede ou o modelo de exploração turística. "É prematuro adiantar pormenores", respondeu apenas fonte oficial do gabinete de Ana Mendes Godinho.

A intenção de dinamizar casas florestais para o turismo não é completamente nova. Já em 2006 era noticiado que apenas três dezenas das 1.100 habitações eram utilizadas para turismo de natureza. Tirando as que eram habitadas por guardas florestais, as restantes aguardavam obras, precisamente para serem utilizadas com um fim turístico. A maioria deste património continua "fechado e sem uso", como admite o Executivo no Plano Nacional de Reformas.


A dinamização turística das casas de abrigo e casas florestais [tem como objectivo] a reabilitação, valorização e rentabilização do património público fechado e sem uso. governo português no Plano Nacional de Reformas.

Em 1999, a lei já tinha sido alterada para que as casas florestais existentes nas áreas protegidas e matas nacionais pudessem passar a ser consideradas "casas-abrigo", destinadas a alojar turistas e promover actividades de contacto com a natureza.

Após os incêndios do ano passado, o debate sobre a utilização destas casas florestais voltou a ganhar destaque, tendo em conta que a extinção do Corpo Nacional da Guarda Florestal em 2006 contribuiu ainda mais para que estas habitações - cuja construção remonta ao período do Estado Novo - ficassem ao abandono.

Este aproveitamento turístisco de antigas casas florestais é já uma realidade em alguns pontos do país. É o caso do município de Cabeceiras de Basto que, no seu "site", disponibiliza cinco unidades do género. O preço por cada noite arranca nos 86 euros.

Já em 2012, a Fundação Mata do Bussaco anunciava que tinha concluído a remodelação da primeira casa florestal, que transformou em alojamento local. A sua rede é hoje constituída por seis unidades, onde a pernoita ronda, em média, os 80 euros. Estes alojamentos são um ponto de apoio para um programa de actividades que sensibilizam os visitantes para as matérias da protecção da floresta e da natureza.



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