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Grécia "roubou" quase 2.400 milhões ao BCP desde 2010

Desde o início da crise da dívida soberana na Zona Euro, em 2010, a operação grega roubou quase 2.400 milhões de euros aos resultados do BCP. A principal fatia das “perdas” foi para crédito malparado. Mas também houve os prejuízos dos três anos, a reavaliação em baixa da operação, as imparidades para a dívida pública e a antecipação do impacto da venda.

Maria João Gago mjgago@negocios.pt 22 de Abril de 2013 às 09:50
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Nos últimos três anos, o Millennium Bank Grécia teve um impacto negativo nas contas do BCP de 2.387,7 milhões de euros, um valor superior aos prejuízos de 2.067,7 milhões de euros registados pelo banco de Nuno Amado no conjunto de 2011 e 2012. Este efeito reflecte a situação da economia helénica, que acumula uma recessão económica de 25% em cinco anos e cuja taxa de desemprego ascende a 27%.

 

As “perdas” acumuladas pelo grupo na operação grega resultam, sobretudo, da contabilização de imparidades para fazer face a crédito malparado na operação helénica que totalizaram 847,1 milhões de euros entre o início de 2010 e o final do ano passado. A principal fatia deste esforço ocorreu em 2012, exercício em que o incumprimento de crédito no Millennium grego obrigou o BCP a assumir prejuízos de 702,4 milhões.

 

O perdão de mais de 70% que os investidores privados em dívida pública da Grécia aceitaram em 2011 foi outro dos maiores problemas do BCP na sua exposição ao primeiro país da Zona Euro a necessitar de resgate financeiro, em 2010. Este acordo implicou que o banco então liderado por Carlos Santos Ferreira tivesse que assumir uma perda de 533,5 milhões.

 

No ano passado, os resultados do BCP sofreram ainda o impacto da contabilização de uma imparidade de 427 milhões de euros, destinada a fazer face às perdas esperadas para a operação grega nos próximos anos. Esta almofada foi criada já a pensar na venda do Millennium Bank Grécia. Como nota o comunicado do banco emitido esta segunda-feira, esta imparidade ajudará no esforço de participação no processo de capitalização do Piraeus Bank.

 

Também as imparidades para “goodwill”, no valor de 147,1 milhões, realizadas tanto em 2010 como em 2011, foram feitas já para preparar a saída do mercado grego, uma vez que se destinaram a reconhecer a desvalorização da operação grega no balanço consolidado do BCP.

 

Finalmente, também os prejuízos acumulados pelo banco nos últimos três anos, penalizaram a instituição. Em três anos, o BCP perdeu na Grécia 285,9 milhões. A principal fatia dos prejuízos ocorreu no ano passado, em que os prejuízos totalizaram 266,4 milhões.

 

 

 

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