Banca & Finanças Idas obrigatórias ao mercado são desafio para a banca portuguesa

Idas obrigatórias ao mercado são desafio para a banca portuguesa

A Comissão Europeia junta-se a BdP e considera que os novos requisitos europeus (MREL), que podem obrigar a novas emissões de dívida junto de investidores, são um dos desafios que a banca enfrenta.
Idas obrigatórias ao mercado são desafio para a banca portuguesa
Diogo Cavaleiro 19 de janeiro de 2018 às 16:52

Os bancos europeus poderão ter de ir ao mercado emitir títulos de dívida para ganharem almofadas que permitam absorver perdas em caso de necessidade. Ainda está por definir qual a dimensão, mas, segundo a Comissão Europeia, este pode ser um desafio adicional para a banca nacional.

 

"Para os bancos portugueses, em que a maioria dos quais teve como objectivo reduzir a sua dependência de financiamento nos mercados, o MREL pode representar um desafio potencial, que implica a necessidade de existirem estratégias adequadas e aplicadas oportunamente, e ainda um possível aumento de custos", revela o relatório pós-programa de assistência financeira, publicado esta sexta-feira, 19 de Janeiro, pela Comissão Europeia.

 

Neste momento, ainda não há uma orientação definida e clara de quais os requisitos mínimos de fundos próprios e passivos elegíveis para este novo enquadramento, o chamado MREL, para cada uma das instituições financeiras. O montante exacto está por determinar, sublinha Bruxelas, alertando que estes requisitos vão obrigar à emissão de financiamento junto dos mercados e uma redução dos activos ponderados pelo risco.

 

Em Portugal, os bancos têm vindo já emitir dívida que possa ser considerada ao abrigo do MREL. A CGD ainda tem, este ano, de colocar no mercado 430 milhões de euros em obrigações perpétuas (à semelhança da emissão feita em 2017). Isto quando se sabe que o Novo Banco também tem de colocar junto de investidores 400 milhões de euros em dívida subordinada.

Ainda não se sabe qual a dimensão de fundos elegíveis que possam vir ser a exigidos a cada banco, mas a Comissão Europeia, na direcção comandada por Pierre Moscovici (na foto), deixa no seu relatório de acompanhamento do mercado nacional uma preocupação que o Banco de Portugal já tinha incluído no seu relatório de estabilidade financeira, publicado em Dezembro.

 

Para o regulador liderado por Carlos Costa, o MREL é também um dos "desafios que se colocam aos bancos portugueses". "Estes instrumentos tenderão a ter um custo de financiamento mais elevado, atendendo ao nível de subordinação dos instrumentos em causa e à notação de risco de crédito dos bancos portugueses. A consequente pressão sobre a rendibilidade e, em particular, sobre a margem financeira dependerá da capacidade dos bancos repercutirem no preço das operações activas e serviços prestados o aumento do custo de financiamento", sublinha. A CGD pagou 10,75% na emissão de dívida perpétua AT1, o BCP aceitou 4,5% nos primeiros cinco anos em dívida subordinada T2. 

 

É nesta óptica que a Direcção-Geral de Economia e Assuntos Financeiros também refere que poderá haver uma redução adicional dos activos ponderados pelo risco: uma forma de optimizar o balanço e diminuir o montante pedido junto de investidores.

Neste contexto, torna-se ainda mais importante a diminuição do malparado, já que, quanto menos estes créditos pesarem no balanço, maior a capacidade de redução de custos de financiamento. Os seis bancos portugueses em que o peso do malparado é mais relevante comprometeram-se, nos planos entregues junto do Banco Central Europeu e do Banco de Portugal, a reduzir o rácio de malparado de 22%, em Junho de 2016, para 10%, em 2021