Automóvel Indústria automóvel portuguesa diz-se condenada à morte sem ligação ferroviária Aveiro-Salamanca

Indústria automóvel portuguesa diz-se condenada à morte sem ligação ferroviária Aveiro-Salamanca

A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) alerta que a ausência da construção da linha ferroviária Aveiro – Salamanca no próximo quadro comunitário (2021-2027) teria “consequências fatais” para o sector que representa em Portugal.
Indústria automóvel portuguesa diz-se condenada à morte sem ligação ferroviária Aveiro-Salamanca
Bruno Simão/Negócios
Rui Neves 13 de junho de 2018 às 17:01

A já planeada linha ferroviária Sines-Badajoz-Madrid-Burgos "não é alternativa possível" para a indústria automóvel portuguesa, tendo em conta que 75 % deste sector se situa a norte do distrito de Leiria.

 

"Pelo contrário, é de primordial importância a linha Aveiro-Salamanca-Burgos, que tarda a ser lançada", alerta a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), que considera que "o Governo não poderá perder a oportunidade de inscrever no próximo quadro comunitário (2021-2027)os fundos necessários para a construção da nova linha Aveiro-Salamanca".

 

Para Tomás Moreira, presidente da AFIA, "se isso não acontecesse, estaria a cometer-se um atentado contra a nossa economia, pois a médio prazo condenaríamos as nossas empresas a um isolamento ferroviário com consequências fatais para o seu desenvolvimento e para a sobrevivência da indústria automóvel em Portugal".

 

A indústria automóvel representa cerca de 20% das exportações de bens transaccionáveis de Portugal, "tendo-se tornado um sector industrial absolutamente vital e insubstituível para a nossa economia", enfatiza a AFIA, em comunicado. Neste sentido, defende como de "primordial importância" a construção da linha Aveiro-Salamanca-Burgos.

 

"Considerando que os custos logísticos são reconhecidamente um factor de competitividade crítico para a concorrência internacional", a AFIA acaba de realizar um inquérito para levantamento da realidade logística dos seus associados, do qual concluiu que os fabricantes de componentes instalados em Portugal exportam 85 % da sua produção e importam mais de 80% dos materiais ou componentes que transformam.

 

"Os custos de logística (combustíveis, portagens, fretes portuários) em Portugal são maioritariamente mais elevados do que noutros países nossos concorrentes, acentuando o efeito de Portugal como país limítrofe e por isso afectando a competitividade e atractividade das nossas empresas e produtos", constatou a mesma associação empresarial.

 

A esmagadora maioria das nossas importações e exportações têm como origem/destino países europeus, com a Espanha em primeiro lugar destacado, sendo que, para o movimento destas suas cargas dentro da Europa, as empresas utilizam hoje em mais de 90% a via rodoviária e em reduzida escala as vias marítima e aérea, refere a AFIA.

 

A mesma associação destaca que "o volume transportado por via ferroviária é insignificante ou mesmo nulo, não sendo hoje uma opção real, devido à total imprevisibilidade de prazos (particularmente crítica nos fornecimentos à indústria automóvel), mas também devido às velocidades ridiculamente baixas, reduzidíssima frequência de circulação, preços pouco competitivos, transbordos com elevados custos e demoras, a que devemos acrescentar a tradicional falta de sensibilidade e agressividade comercial dos principais operadores", lamenta a organização liderada por Tomás Moreira.

 

Indústria automóvel portuguesa factura 10 mil milhões e emprega 50 mil pessoas

 

Olhando para o futuro, a AFIA considera que "o transporte rodoviário, do qual hoje dependemos quase em exclusivo, verá os seus custos agravarem-se fortemente a curto prazo, quer por aumentos de preço dos combustíveis fósseis quer pela introdução de taxas ou impostos verdes tendentes a contrariar a sua utilização",

 

Daí que, conclui, "o inevitável crescimento dos custos de transporte terrestre de e para a Europa afectará as empresas sediadas em Portugal duplamente: na importação e na exportação, pondo em risco a sua competitividade".

 

Em contrapartida, prossegue, "perspectiva-se que a vantagem de custo dos transportes ferroviários venha a crescer continuamente, sobretudo se optimizados através de soluções de intermodalidade (transporte de camiões e atrelados sobre vagões, centros de consolidação logística, etc.)".

 

Resultado: "O transporte por ferrovia apresenta no médio/longo prazo um potencial de economia de custos que para as empresas do sector automóvel representaria um ganho de competitividade dificilmente quantificável mas seguramente de extrema relevância."

 

A AFIA conclui assim que, "a longo prazo será fundamental para a sobrevivência da nossa indústria a existência de boas ligações ferroviárias a Espanha e ultra-Pirinéus, de preferência com bitolas que não obriguem a transbordos", defendendo então a construção da linha ferroviária Aveiro-Salamanca-Burgos, classificando-o como crítica para a sobrevivência da indústria automóvel portuguesa.

 

A indústria automóvel portuguesa é composta por cerca de 220 empresas, factura 10 mil milhões de euros, dos quais 85% são exportações, e emprega cerca de 50 mil pessoas. No ano passado, representou 5% do PIB, 7% do emprego da indústria transformadora e 14% das exportações nacionais.




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