Media Investidores afastam-se da Weinstein Company por passivo superior ao previsto

Investidores afastam-se da Weinstein Company por passivo superior ao previsto

O grupo de investidores, que pretendia dar força às vítimas de Harvey Weinstein, deixou cair a oferta que tinha sobre o estúdio de cinema. Em causa uma dívida superior à reportada, segundo o FT e a Reuters.
Investidores afastam-se da Weinstein Company por passivo superior ao previsto
Reuters
Diogo Cavaleiro 07 de março de 2018 às 11:35

O grupo de investidores que estava interessado em comprar a maioria dos activos da Weinstein Company, fundada por Harvey Weinstein e pelo irmão Bob, deixou cair a oferta. O motivo passa pela descoberta de uma dívida superior à divulgada. 

 

Liderada por Maria Contreras-Sweet, que pertencia à administração de Barack Obama, o grupo pretendia adquirir a maioria dos activos da companhia dona de estúdios de cinema e incorporá-los numa nova empresa, com um conselho de administração composto maioritariamente por mulheres. Aí, seria criado um fundo de compensação às alegadas vítimas de Harvey Weinstein, que tem sido sistematicamente associado a práticas de assédio sexual.

 

A empresa, de que Harvey (que está a ser investigado criminalmente) saiu em Outubro, tem estado em dificuldades, mas na semana passada foi demonstrado o interesse na aquisição dos activos pelo grupo de investidores com foco na importância do papel da mulher. Segundo a Variety, citada pelo Financial Times, a aquisição era por 275 milhões de dólares (222 milhões de euros, ao câmbio actual), com a assunção de 225 milhões de dólares (182 milhões de euros) da dívida do estúdio.

 

De acordo com uma fonte citada pela Reuters, os investidores descobriram que a dívida do grupo, produtor de filmes como Guia para um Final Feliz, é, afinal, de 280 milhões de dólares (226 milhões de euros).

 

"Depois da assinatura e da entrada na fase da ‘due dilligence’, recebemos informação desconcertante relativamente à viabilidade da conclusão da transacção. Como resultado, decidimos abortar a operação", indicou Contreras-Sweet, citada pelo Financial Times.

 

A insolvência pode ser o caminho para o estúdio produtor de O Discurso do Rei e do programa televisivo de moda Project Runway. E, aí, o grupo de investidores pode voltar à carga: "Acredito que a nossa perspectiva de criação um estúdio cinematográfico liderado por mulheres é o caminho correcto. Nesse sentido, consideraremos adquirir activos que fiquem disponíveis no âmbito da insolvência, bem como outras oportunidades que possam ficar disponíveis na indústria do entretenimento", acrescentou Maria Contretas-Sweet, citada pelo FT.

 

Já a empresa, segundo a Reuters, contesta as alegações do grupo de investidores, dizendo que a nova informação alegadamente descoberta é uma "desculpa" e que nunca houve uma real intenção de compra. "Vamos continuar a trabalhar sem descanso – como temos feito há meses – para ver se há opções viáveis para lá da falência", indica o comunicado da administração. Além dos efeitos reputacionais, a empresa enfrenta processos judiciais.




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