Energia Isabel dos Santos garante continuidade no capital da Galp

Isabel dos Santos garante continuidade no capital da Galp

"El Confidencial" diz que o distanciamento entre Isabel dos Santos e o Grupo Amorim aponta para a venda da posição na Galp Energia. A empresária angolana diz que não pretende sair do capital da cotada portuguesa.
Isabel dos Santos garante continuidade no capital da Galp
Ricardo Castelo
Nuno Carregueiro Celso Filipe 27 de fevereiro de 2018 às 09:56

A exoneração de Isabel dos Santos do cargo de presidente da Sonangol e a morte de Américo Amorim aumentaram a especulação sobre alterações na estrutura accionista da Galp Energia. Que hoje saiu reforçada, com o jornal espanhol "El Confidencial" a publicar um artigo onde adianta que o distanciamento entre Isabel dos Santos e o Grupo Amorim aponta para a venda da posição na Galp Energia.

 

Isabel dos Santos detém 45% da Esperaza Holding, com a Sonangol a deter 55% desta sociedade. Por sua vez, a Esperaza Holding detém 45% da Amorim Energia, que por seu turno detém 33,34% da Galp, assumindo o estatuto de maior accionista.

 

Diz o jornal espanhol que o distanciamento entre estes accionistas da empresa que controla a Galp aponta para um possível desinvestimento. "Com Isabel dos Santos sem margem de manobra na Sonangol e depois do falecimento de Américo Amorim, os laços históricos que uniam estes investidores desapareceram, pelo que a família do rei mundial da cortiça e a angolana decidiram soltar amarras em relação à Amorim Energia", escreve o "El Confidencial", que no artigo cita fontes próximas da Amorim Energia.

 

Confrontada com esta notícia, fonte ligada a Isabel dos Santos diz ao Negócios que a empresária angolana não pretende sair do capital da Galp Energia e que tem uma posição estável no capital da petrolífera angolana.

 

Isabel dos Santos reitera assim o que já havia dito sobre a Galp Energia, já depois de deixar a liderança da Sonangol. Numa entrevista à Bloomberg, publicada em Dezembro, a empresária angolana afirmou que a saída da petrolífera angolana não iria afectar o seu investimento na Galp Energia. "São duas coisas diferentes", sublinhou. "O investimento na Galp é um investimento muito antigo, remonta a 2008. É um investimento estável", salientou.

 

Isabel dos Santos foi exonerada da presidência da Sonangol em Novembro pelo novo presidente angolano, João Lourenço. Para o seu lugar foi nomeado Carlos Saturnino e desde então a petrolífera e a empresária já deram vários sinais de desentendimento.

 

A Sonangol alegou não ter recebido dividendos da Galp, que totalizam os 438 milhões de euros, entre 2012 e 2016, que terá sido pago à Esperaza, detida pela Sonangol e por Isabel dos Santos. A empresária angolana negou, afirmando que a petrolífera angolana não só recebeu os dividendos distribuídos pela Galp, como pagou os impostos referentes. 

 

A notícia do jornal espanhol é comentada esta terça-feira pelos analistas do BPI, que lembram que esta não é a primeira vez que chega aos jornais a especulação sobre a relação dos accionistas da Amorim Energia.

 

Os analistas do banco salientam que há diferenças entre o cenário de venda posições dentro da Amorim Energia e o desmantelamento desta "holding". Considerando que o primeiro é mais provável do que o segundo, o BPI refere que "não é claro qual o impacto de cada um deles ao nível da Galp Energia".

 

As acções da Galp Energia sobem 0,43% para 15,05 euros.




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