Empresas Site aluga serviço de "minorias" para todas as ocasiões

Site aluga serviço de "minorias" para todas as ocasiões

Arwa Mahdawi teve uma ideia “revolucionária”: criar um site onde é possível alugar os serviços de várias “minorias”, desde a “muçulmana sorridente” até ao “negro intelectual”. Está lançada a discussão.
Site aluga serviço de "minorias" para todas as ocasiões
Inês F. Alves 17 de fevereiro de 2016 às 17:11

Funcionária de uma empresa de publicidade em Nova Iorque, Arwa Mahdawi teve a ideia de criar um site onde oferece os serviços de minorias, numa tentativa de facilitar o trabalho a empresas que desejam diversificar a sua imagem sem fazer uma mudança profunda no seu negócio. O site, que na verdade é falso, já teve mais de 91 mil visitas e propostas reais. Nas redes sociais foi partilhado e mencionado milhares de vezes. A ideia? Protestar sobre a maneira superficial como a questão da diversidade é tratada.

"Rent-a-Minority é um novo serviço revolucionário desenhado para aqueles momentos lixados em que se dá conta que a sua cerimónia de prémios, o seu panfleto corporativo, ou o painel da sua conferência é exclusivamente composto por homens brancos", pode ler-se na página de entrada deste site que oferece uma "minoria para todas as ocasiões".

"Fazer algo realmente significativo para romper com a desigualdade institucional dá demasiado trabalho, então porque não alugar uma minoria?", desafia este site que inclui no seu catálogo a "mulher de cor bem disposta", a "muçulmana sorridente", "o negro inteligente" e o perfil "etnicamente ambíguo".

Criado por Arwa Mahdawi, este site é na realidade falso, mas pretende trazer à discussão o tema da desigualdade.

A página está há apenas nove dias no ar e já foi partilhada dezenas de milhares de vezes no Facebook, e no Twitter conta com mais de três mil referências, conta a BBC. A autora do mesmo escreve, no The Guardian, que o site já recebeu mais de 91 mil visitas, pedidos para versões em língua estrangeira (o original está em inglês), alguns apelos para alugar uma minoria e cerca de 500 reptos de pessoas que desejam registar-se como uma minoria para alugar.

"Que algumas pessoas tenham levado o meu site satírico a sério não é propriamente surpreendente. Afinal, na economia 'on-demand' de hoje é possível alugar praticamente tudo, incluindo pessoas", diz Mahdawi no artigo do The Guardian, referindo que na China existe, efectivamente, uma indústria deste género, que permite alugar os serviços de estrangeiros para empresas que desejam ocidentalizar a sua aparência.

Mahdawi diz que criou o site por se sentir "frustrada pela maneira superficial como o tema da diversidade é recorrentemente tratado".

E critica o "ciclo burlesco" levado a cabo nas empresas onde se anunciam planos de promoção à diversidade, onde os recursos humanos são instruídos a contratar uma quota de "minorias", e o material de comunicação é alterado para parecer inclusivo, "mas não há uma alteração significativa na cultura da empresa".

A autora do site satírico acrescenta que programas de promoção da diversidade podem inclusivamente ter um efeito negativo nas equipas e, por outro lado, recorda a quantidade de vezes lhe foi "fortemente sugerido" que a sua posição profissional foi conquistada graças à "discriminação positiva".

"Mas nem tudo é mau e cinzento", diz a própria, recordando que a tecnologia tem potenciado o aparecimento de plataformas para diversificar o talento nas diversas indústrias. "Sites como o "Writers of Color" e o "Black Game Devs" já existem para combater a desculpa do ‘mas eu não consegui encontrar uma pessoa qualificada que não fosse um homem branco’", diz Mahdawi, acrescentando que a diversidade deve ser um tópico "que as pessoas não têm pavor de discutir".

Arwa Mahdawi trabalha para uma firma de publicidade em Nova Iorque e é "metade palestiniana e metade inglesa", escreve a BBC, que entrevistou a autora do site.

Esta iniciativa surgiu depois de Hollywood ser criticada por não promover a diversidade. A polémica estalou logo após o anúncio dos nomeados para os Óscares deste ano, entre os quais não há qualquer actor ou realizador negro, um tema caro para muitos que consideram que a indústria cinematográfica não é plural o suficiente. 

 




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