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Jerónimo Martins quer dívida entre 200 e 300 milhões no final de 2004

A Jerónimo Martins pretende reduzir o nível de endividamento em cerca de 70% nos próximos dois anos para poder acelerar um plano de investimentos que ficou praticamente congelado com a reestruturação que obrigou à venda de activos.

Ricardo Domingos rdomingos1@gmail.com 27 de Março de 2003 às 09:49
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A Jerónimo Martins pretende reduzir o nível de endividamento em cerca de 70% nos próximos dois anos para poder acelerar um plano de investimentos que ficou praticamente congelado com o plano de reestruturação que obrigou à venda de activos não estratégicos.

A segunda maior distribuidora nacional quer descer a dívida dos 837 milhões de euros no final de 2002 para um intervalo entre os 200 e os 300 milhões de euros no final de 2004, um valor considerado «razoável para poder expandir o negócio», avançou ao Negocios.pt o administrador financeiro da empresa, Luís Palha, após a conferência de apresentação de resultados anuais realizada na semana passada.

A maior rival nacional da Modelo Continente quer acelerar o processo de expansão, depois de ter concluído uma reestruturação que durou 18 meses e custou 201 milhões de euros, entre menos valias contabilísticas dos activos alienados e perdas em acções cotadas e derivados.

Para já, o investimento será mais contido, sendo repartido por 100 milhões de euros por ano até 2004, dos quais 40% serão canalizados para a abertura de 100 lojas da Biedronka, enquanto o restante será utilizado na remodelação de estruturas já existentes em Portugal e na Polónia.

«A actual situação não nos permite grandes veleidades ao nível do investimento», admitiu ao Negocios.pt Luís Palha.

Uma constatação corroborada por Alexandre Soares dos Santos durante a apresentação de resultados. «O que aprendemos com os nossos erros do passado (desistência de expansão no Brasil e venda da Eurocash e Jumbo na Polónia) foi que precisamos de um balanço forte para novos investimentos», afirmou o presidente da JM [JMAR].

Mas, a partir de 2005, se o peso da guerra não afectar a estratégia, o caso muda de figura. A empresa admite a realização de um aumento de capital já em 2004, se a retenção dos lucros - previstos para 2003 - para reforço de capital e canalização dos fluxos de caixa para a amortização da dívida não forem suficientes.

«Precisaremos eventualmente de um aumento de capital a partir de 2004», disse Soares dos Santos, sublinhando que o mesmo terá como destino atingir, num prazo de cinco a sete anos, um total de 2.000 lojas da Biedronka na Polónia.

Tendo em conta as 638 lojas detidas no final de 2002 e que a abertura cada unidade da líder no segmento de desconto naquele país de Leste custa 800 mil euros à empresa, a abertura das 1.362 lojas da Biedronka obrigarão a um investimento - a preços constantes - de 1,1 mil milhões de euros até 2010, segundo cálculos do Negocios.pt não confirmados pela empresa. As vendas da gestora da Recheio cresceram 2,4% para os 3,63 mil milhões de euros, enquanto os prejuízos aumentaram em mais do dobro para os 204,3 milhões de euros, com a contabilização dos custos de reestruturação.

As acções da JM seguiam nos 6,50 euros, a subir 2,36%.

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