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Jerónimo Martins regressa aos lucros após 10 trimestres com perdas (act)

A Jerónimo Martins obteve, pela primeira vez em dez trimestres, lucros entre Janeiro e Março deste ano, devido a uma redução dos custos e dos encargos financeiros com a dívida, anunciou em comunicado a segunda maior distribuidora nacional.

Negócios negocios@negocios.pt 30 de Abril de 2003 às 08:41
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A Jerónimo Martins obteve, pela primeira vez em dez trimestres, lucros entre Janeiro e Março deste ano, devido a uma redução dos custos e dos encargos financeiros com a dívida, anunciou em comunicado a segunda maior distribuidora nacional.

>Os lucros alcançaram os 1,3 milhões de euros, valor que compara com prejuízos de 27,5 milhões de euros, no mesmo período do ano passado. Este foi o primeiro trimestre de resultados positivos desde o terceiro trimestre de 2000.

As vendas da empresa recuaram 16,9% para os 813,3 milhões de euros, devido ao facto da Páscoa ter caído este ano no segundo trimestre e por causa da desvalorização do zloty, a moeda polaca. A Jerónimo mantém a cadeia de desconto Biedronka na Polónia, onde as vendas cresceram 8,5% na moeda local, mas desceram 7,1% em euros, para os 216,86 milhões.

A empresa liderada por Soares dos Santos concluiu, no princípio deste ano, o processo de reestruturação que envolveu a venda de activos não estratégicos, como posições detidas no Brasil e na Polónia, por forma a reduzir o seu endividamento.

«Em termos comparativos, os resultados do grupo só não foram melhores devido ao desfasamento do período da Páscoa (em 2002 situou-se no primeiro trimestre, ao contrário do que aconteceu este ano) e à forte desvalorização da moeda polaca» face ao euro, esclarece a Jerónimo Martins. O zloty recuou 19% contra o euro no primeiro trimestre do ano.

As perdas financeiras, que contabilizam os encargos com dívida e variações cambiais, desceram 34,3% para os 14,58 milhões de euros. O endividamento total manteve-se perto dos 900 milhões de euros.

Resultados não recorrentes impedem maiores lucros

A empresa afirma que as perdas registadas em itens não recorrentes, e que ascenderam aos 3,5 milhões de euros, afectaram o crescimento dos lucros.

«Este lucro só não foi superior porque se registaram cerca de 3,5 milhões de euros de custos não recorrentes relacionados com títulos cotados, derivados e outros financeiros» e está «ainda afectado pelo resultado operacional do Eurocash, entretanto alienado, que se cifrou numa perda de 2 milhões de euros.

Excluindo esses itens, os lucros da empresa teriam sido de 6,8 milhões de euros.

Vendas em Portugal aumentam

As vendas dos supermercados Pingo Doce aumentaram 6,3%, o que, somado a uma deflação dos principais produtos da cadeia de 4%, se traduz num aumento em volume superior a 10%.

A rede de hiper e minihipermercados Feira Nova vendeu menos no trimestre, resultado «não só do efeito da Páscoa, mas principalmente do aumento do ambiente competitivo e do facto de se ter procedido à remodelação de um dos mini hipers durante o trimestre».

A empresa ressalvou que a abertura de mais um Feira Nova em Odivelas deverá ter um «impacto positivo» nas vendas da cadeia nos próximos trimestres.

As vendas no «cash & carry» aumentaram, com o Recheio a facturar mais 3,5%, com a margem operacional a manter-se no mesmo nível de outros trimestres, «em resultado da manutenção da margem de comercialização e do rigoroso controlo de custos».

A Jerónimo Martins não providenciou dados sobre as áreas de indústria e serviços, afirmando apenas que «tiveram um comportamento muito positivo, quer ao nível das vendas – nas divisões de higiene pessoal (Lever), gelados e congelados (Iglo) e de cosmética (JMDPC) – quer ao nível das margens operacionais».

Jerónimo Martins quer aumentar lucros e continuar redução de dívida

Nas perspectivas para os próximos trimestres, a Jerónimo Martins afirma que a redução dívida vai continuar a ser o seu instrumento principal para fortalecer o seu balanço, prevendo igualmente uma melhoria ao nível dos resultados.

««Para os restantes trimestres de 2003, e caso não se verifique o agravamento da actual conjuntura económica, esperam-se melhorias tanto ao nível dos resultados líquidos como da dívida financeira», segundo o mesmo comunicado.

«Esta recuperação é importante para fortalecer gradualmente o balanço», acrescenta.

As acções da Jerónimo Martins subiam 1,6% para os 7 euros.

Por Ricardo Domingos

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