Banca & Finanças Jorge Tomé acusa Banco de Portugal de tornar Banif inviável

Jorge Tomé acusa Banco de Portugal de tornar Banif inviável

O ex-presidente do Banif escreveu a 9 de Dezembro a Carlos Costa acusando o supervisor de estar a "fragilizar" e "descredibilizar" a instituição, procurando torná-la inviável, escreve o Público.
Jorge Tomé acusa Banco de Portugal de tornar Banif inviável
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 05 de abril de 2016 às 10:25

Menos de duas semanas antes da resolução e venda do Banif, Jorge Tomé, o presidente da instituição na altura, escreveu ao Banco de Portugal ameaçando demitir-se face ao que descreveu como acções do supervisor que ameaçavam a viabilidade do banco, descredibilizando-o e fragilizando-o. Em causa estava, por exemplo, a demora por mais de três meses do registo de idoneidade dos gestores do banco, ou a imposição à última de hora de um reforço adicional de imparidades que impediu o banco de cumprir rácios mínimos de solvabilidade.  

Os detalhes da missiva do banqueiro são revelados pelo jornal Público, que teve acesso à carta enviada a 9 de Dezembro a Carlos Costa com conhecimento de Mário Centeno, o ministro das Finanças na altura. Jorge Tomé escreve que "tem vindo a ser confrontado com inesperadas adversidades por parte do supervisor" e ameaça demitir-se.

Entre as adversidades está a demora de meses por parte do banco central em fazer o registo de idoneidade dos membros dos órgãos sociais eleitos no final de Agosto de 2015. "Há 105 dias que o Banif se encontra em actividade com uma comissão executiva de apenas dois elementos (dos cinco nomeados) e um conselho de administração com quatro administradores (dos nove nomeados) em efectividade de funções", cita o Público.

Para Tomé a demora visou "fragilizar a autoridade" da gestão e minar a sua legitimidade. Na mesma carta, o ex-presidente da instituição acusa o banco central de "forma imprevista" ter começado a "colocar em causa todo o trabalho que vinha sendo articulado" entre o banco, ministério das Finanças e supervisor, com vista à apresentação à Comissão Europeia de um plano de viabilização da instituição. Estas acusações já tinham sido tornados públicas pelo próprio numa intervenção no final de Janeiro em que denunciou um volte de face do regulador face ao futuro do Banif.

Na carta, Jorge Tomé estranha, por exemplo, que a 17 de Novembro, já depois da apresentação de contas do terceiro trimestre que tinham sido validadas por auditores escolhidos por Carlos Costa, o regulador tenha exigido um reforço adicional de imparidades de 177 milhões de euros. Com esse reforço o banco deixaria de cumprir os mínimos nos rácios de solvabilidade, uma condição para o banco central poder decretar a resolução da instituição. Carlos Costa estará esta terça-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif.




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