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José Eduardo Moniz: Ongoing? "Percebi que era tudo uma fantochada"

José Eduardo Moniz, em entrevista ao Observador, fala das pressões na TVI dos governos de Santana Lopes e de Sócrates. E assume que estava "ceguinho" ao aceitar ir para a Ongoing. E que não tem a ambição de ser presidente do Benfica.

Alexandra Machado amachado@negocios.pt 10 de Agosto de 2019 às 17:44
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José Eduardo Moniz, ex-diretor da TVI, que se assume como jornalista, garante, em entrevista à rádio Observador, ao programa artigo 38, que quando saiu da TVI - onde voltou agora como consultor - para a Ongoing foi a maneira do governo de Sócrates o silenciar. "Eu fui seduzido por um projeto", sem ter consciência da intenção de silenciamento. 

"Quando atingimos grandes audiências na TVI eu disse batemos no teto e temos que nos internacionalizar e comecei a trabalhar nisso", explicou José Eduardo Moniz, justificando que os projetos na TVI não foram para a frente e então a Ongoing apresentou o projeto para a língua portuguesa. "Subitamente sou confrontado com a possibilidade de fazer aquilo que tinha sonhado, isto é proporcionar meios para eventualmente a partir do Brasil" fazer o que tinha ambicionado.

E nesta linha pergunta e responde: "Estava ceguinho? 
Estava, estava ceguinho. Como ceguinho que sou também tive um cão-guia. A dada altura os olhos abriram e em 2012 tomei a iniciativa de me vir embora. Percebi que era tudo uma fantochada", disse José Eduardo Moniz.

O dinheiro não apareceu quando chegava a acordo a compra de rádios e televisão no âmbito da Ongoing. "Acabo por me arrepender o passo", admitiu. "Aprendi muito" nesses anos.

Pressões de Sócrates e Santana
A partir do momento em que a TVI se tornou líder, José Eduardo Moniz começou a receber pressões dos partidos e do Governo, assumiu na entrevista ao Observador.

Com Pedro Santana Lopes e com José Sócrates as "pressões eram muito grandes", afirmou. No Santana Lopes foi "de forma indireta", dos "lacaios" nas palavras de José Eduardo Moniz que diz que o ex-primeiro-ministro é corajoso. 

Já no caso de Sócrates, havia pressão direta sobre a redação e indireta através da administração da TVI, disse Eduardo Moniz. Como se explica que o jornal de Manuela Moura Guedes tenha acabado? "A primeira situação foi da saída de Manuela como apresentadora; nessa altura eu não autorizaria que isso tivesse acontecido", mas "aproveitou uma ausência minha" para sair. "Mantive na cabeça que ela iria voltar", e voltou. "Acho que prestámos um valor inestimável ao país". Depois acabou e José Eduardo Moniz diz que Sócrates teve um papel nisso.

Agora quando voltou como consultor à TVI, o mesmo responsável diz que esteve várias conversas com Rosa Cullell, que foi presidente da Media Capital (tendo saído recentemente), para assumir um papel na ficção e ao fim de várias reuniões. O programa de informação já foi feito a convite de Sérgio Figueiredo, diretor de informação da TVI. 

José Eduardo Moniz é consultor da TVI e da Plural, da Media Capital. "Faço aquilo que me apetece fazer", disse José Eduardo Moniz, salientando que "se alguém amanhã me chatear vou-me embora", dizendo que se mantém jornalista encartado.

Ligado à televisão portuguesa há muitos anos, José Eduardo Moniz diz que na sua carreira um dos períodos mais desafiantes foi na RTP de 1989 a 1993, em que ficou com a responsabilidade da informação e programação. 

Saiu em 1994 "porque não estava feliz", porque "havia muita gente a querer meter a colher". 

Na entrevista contou a divergência com Mário Soares nos anos 90 e como se recusou a processar Emídio Rangel de quem disse ter sido um bom adversário. Enquanto estive na RTP "ganhei sempre" a Rangel. "Podia ter passado pelas três televisões", revelou Eduardo Moniz. 

Quanto ao Benfica, garante não ter ambição de ser presidente do clube. 






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