Empresas José de Mello e Arcus lançam OPA à Brisa com sucesso à partida

José de Mello e Arcus lançam OPA à Brisa com sucesso à partida

Oferta não tem condição de sucesso nem há margem para subir preço, avisa Vasco de Mello
A José de Mello não admite subir a oferta de 2,66 euros por acção, que ontem lançou em parceria com o fundo Arcus, sobre a totalidade do capital da Brisa. Não há condição de sucesso, nem o grupo tem plano B. Ou seja, como sublinhou ontem Vasco de Mello, nem sequer há a pagar um prémio de controlo uma vez que "já temos esse controlo". Juntos, José de Mello e Arcus respondem por 53,7% dos votos na Brisa e ficarão com os títulos que os restantes accionistas da concessionária optarem por vender.

Segundo o presidente da José de Mello, a hipótese da Abertis de vender ou não os seus mais de 15% na Brisa é sua "decisão exclusiva". Mas o grupo espanhol "é bem vindo a manter a participação se assim o entender", sublinhou. Contactada pelo Negócios, fonte oficial do grupo espanhol , que teve conhecimento antecipado da OPA, disse que "estudará a oferta" sobre a concessionária portuguesa e, dentro de alguns dias, deverá tomar uma posição oficial.

Resposta à crise

Como resumiu Vasco de Mello, na conferência de imprensa onde ontem anunciou a operação, "esta OPA é antes de mais uma resposta à crise. "A Brisa tornou-se um exemplo de uma empresa cotada que não tem visto o seu valor reconhecido e que tem vindo a ser penalizada pelas revisões em baixa das notações de risco que sobre ela são feitas, consequência directa das revisões em baixa das notações de risco sobre a República Portuguesa", afirmou. No ano passado, a concessionária portuguesa perdeu mais de metade do seu valor em bolsa, sendo já esse o terceiro ano de desvalorização.

Para Vasco de Mello, a oferta "garante estabilidade accionista futura da Brisa", além de trazer "novos capitais para o país". Aliás, "se houver uma adesão à oferta – lançada através da Tagus Holdings (‘joint-venture’ detida em 55% pela José de Mello e em 45% pela Arcus) – com muito significado haverá retirada de bolsa da empresa" , disse. Quanto ao impacto que esta operação poderá vir ter na gestão da concessionária, o responsável destacou a mudança de perspectiva do curto para o longo prazo, acrescentando que "é a estabilidade accionista que permite desenvolver o projecto de criação de valor".

Em sua opinião, "esta OPA é ainda uma prova de vitalidade e dinamismo do grupo José de Mello". Como garantiu, não haverá reestruturação do passivo do grupo nem está em cima da mesa a venda de activos.

O investimento nesta operação é da ordem dos 700 milhões de euros, caso todos os restantes accionistas decidam vender na oferta, financiada em dois terços por dívida e o restante por capitais próprios. Fora de causa, garantiu Vasco de Mello, está uma subida do preço. "Não há margem para subir a oferta", afirmou, considerando que o prémio oferecido é "significativo", que "o preço reflecte o valor da empresa" e "não se justifica qualquer alteração". "Não temos de pagar prémio de controlo porque já temos o controlo", concluiu Vasco de Mello.

O presidente da José de Mello disse ainda que "a perspectiva de poder reforçar na Brisa – na qual detém 30,3% – vem de há muito tempo". "Perante a desvalorização das acções e a oportunidade de poder desenvolver uma parceria com a Arcus, pensamos que tinha chegado o momento de o fazer".

São ainda accionistas da Brisa o Norges Bank (com 2,01%) e o fundo de pensões do Estado de Nova Jersey (com 2%).



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