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Lesados da ES Property vão continuar a reclamar junto do Novo Banco

Apesar de terem recebido 20% do valor investido, os detentores de papel comercial da Property queixam-se de que não há garantias de que venham a receber o resto. Por isso, têm propostas para o Novo Banco.

Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 13 de Agosto de 2015 às 19:30
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Já receberam um quinto do investimento feito aos balcões do Banco Espírito Santo em papel comercial da Espírito Santo Property. Só deverão receber mais no próximo ano e, para reaverem todo o capital investido, têm de esperar por 2020. Mas não têm garantias de que tal se venha a concretizar. Daí que estes investidores continuem a reclamar junto do Novo Banco o pagamento do papel comercial, já que este é o banco que dá continuidade à actividade do BES, onde adquiriram aqueles títulos. 

 

"O pagamento não altera nada. Nunca iria alterar a nossa postura e foco na venda enganosa, por parte do BES, agora Novo Banco", diz ao Negócios Eduardo Mota, o responsável pela área da Property na Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC).

 

Depois de se ter atrasado, devido aos arrestos feitos pela justiça portuguesa, o Processo Especial de Revitalização da empresa de imobiliário do antigo Grupo Espírito Santo pôde avançar. Já houve uma decisão do Ministério Público de libertar os valores necessários das contas da Property para pagar a primeira tranche aos credores, conforme definido no PER. São 7,4 milhões de euros, cerca de 5 milhões dos quais destinados aos investidores do papel comercial. O valor representa 20% da dívida total da empresa, não garantida, que será paga 20% ao ano até 2020.

 

Com esta diferença temporal, o plano não tem garantias de que venha efectivamente a ser cumprido, diz Eduardo Mota. Daí que tenha uma proposta para o Novo Banco: ao mesmo tempo que reclamam o valor junto do banco, a ideia de alguns dos titulares em papel comercial da Property (ex-Espart) é o de que a instituição financeira, com o novo dono, venha a assumir o PER em seu lugar.

Ou seja, o Novo Banco assume os créditos perante a ES Property e os detentores de papel comercial emitido por aquela sociedade comprometem-se a manter o valor numa aplicação do Novo Banco até ao fim do PER. Uma aplicação que possa contribuir para os rácios.

Segundo Eduardo Mota, esta era uma forma de retirar as queixas-crime contra os gestores de conta do banco sob comando de Eduardo Stock da Cunha.  

 

São 374 os credores da Espírito Santo Property que têm pouco menos de 24 milhões de euros em papel comercial. Ao todo, contabilizando os produtos emitidos pela ESI e pela Rioforte, são cerca de 550 milhões em papel comercial, nas mãos de mais de 2.000 clientes.

Os titulares de papel da ES Property têm vindo a dizer, até, que estão "abandonados". A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários tem defendido que o Novo Banco deve assegurar o reembolso do papel comercial emitido pela Espírito Santo International e pela Rioforte, mas não engloba aí o papel comercial da ES Property.

 

Enquanto as empresas de topo do GES estão em insolvência no Luxemburgo, onde tinham as respectivas sedes, a empresa do ramo imobiliário está em revitalização. Um plano que está agora novamente no caminho do cumprimento, mas que tem ainda seis anos para terminar.

 

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