Empresas Lítio: Alto Minho aplaude desistência da Fortescue

Lítio: Alto Minho aplaude desistência da Fortescue

Os presidentes das Câmaras de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez congratularam-se hoje com a desistência da australiana Fortescue de prospeção de lítio na zona de Fojo, no Alto Minho.
Lusa 03 de maio de 2019 às 15:40

"É com absoluta satisfação que recebemos a confirmação de que a empresa, percebendo as movimentações da população, a reação concertada das autarquias, tirou as devidas conclusões. Que não tinha condições nenhumas, sequer, para fazer prospeção e muito menos para depois fazer exploração", afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Câmara de Melgaço, Manoel Batista.

 

A empresa australiana Fortescue afirmou hoje que desistiu da prospeção de lítio na zona de Fojo, no Alto Minho, após uma "análise mais aprofundada" do pedido enviado à Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG).

 

O autarca socialista de Melgaço disse tratar-se de uma "excelente notícia" para "as populações, a paisagem, os ecossistemas e para o território".

 

Para o presidente da Câmara de Monção, António Barbosa, a empresa australiana demonstrou "bom senso".

 

"Esta desistência mostra que a empresa tem um grande respeito pelas populações. Mostra também que é uma grande vitória do território que vive cada vez mais da exploração da terra, no caso de Monção em particular do Alvarinho, permitindo-nos um futuro risonho", afirmou o autarca social-democrata.

 

António Barbosa realçou que "o Alto Minho precisa, como nunca e como ninguém, dos territórios para poder continuar a ser valorizado".

 

"Temos de aproveitar as nossas paisagens, o nosso rio, mas acima de tudo, temos de continuar a explorar a terra que continua a valer muito para nós como é o caso do Alvarinho", reforçou.

 

António Barbosa agradeceu "a todos os cidadãos dos concelhos do Alto Minho, de forma particular de Melgaço e Arcos de Valdevez pela forma como se manifestaram, desde a primeira hora, sobre algo que ia pôr em causa o futuro dos territórios".

 

O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez manifestou-se "muito satisfeito" pelo facto de a empresa "ter reconhecido que aquele não era o local indicado para fazer prospeção" de minerais.

 

"Acho que esta nossa posição e a nossa forma de atuar contribuiu para que a própria empresa percebesse que aquele não o sítio ideal para fazer aquele tipo de prospeção. Agora, a guarda tem que estar sempre montada, porque não se sabe o que pode vir a seguir", disse João Manuel Esteves.

 

O autarca social-democrata ressalvou a posição "concertada das câmaras, juntas de freguesias, movimentos cívicos, populações".

 

"Surtiu efeito em prol do território e daquilo que temos de mais valioso, que é o equilíbrio entre a natureza e o homem", sublinhou.

 

Em resposta escrita a um pedido de esclarecimento da agência Lusa, a diretora executiva da Fortescue Metals Group, Elizabeth Gaines, explicou que "na sequência de uma análise mais aprofundada" a empresa "avançou com uma revisão das áreas requeridas e alterou uma série de pedidos de acordo com essa análise", sem especificar as razões para essa revisão.

 

A responsável da Fortescue Metals Group acrescentou que a empresa "submeteu um conjunto de pedidos de prospeção e pesquisa em Portugal e acompanha atentamente a sua evolução, incluindo a participação no processo de consulta pública".

 

"Como empresa líder no setor mineiro, com um conhecimento de extração mineira de excelência a nível mundial e um reconhecimento histórico no que concerne à responsabilidade ambiental e em garantir que as comunidades locais beneficiam com as nossas operações, aguardamos com expectativa o progresso dos nossos pedidos de prospeção e pesquisa em Portugal".

 

Em causa está um requerimento para atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais na área denominada Fojo apresentado à DGEG pela empresa australiana Fortescue Metals Group Exploration pty.

 

O aviso do pedido de prospeção e pesquisa foi publicado em março em Diário da República (DR).




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