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Louçã critica decisão "mesquinha" de transferir capitais para a Holanda

O coordenador do BE afrmou que foram operações de grandes grupos económicos como esta que levaram Portugal "à situação em que está".

Lusa 03 de Janeiro de 2012 às 14:48
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O coordenador do BE considerou hoje "mesquinha" a decisão da “holding” que controla a Jerónimo Martins de transferir os capitais para a Holanda, afirmando que foram operações de grandes grupos económicos como esta que levaram Portugal "à situação em que está".

"Foi assim que Portugal chegou à situação em que está, foram estas pessoas, foram estes abusos, foi este não pagamento de impostos, foram estas facilidades, que viveram acima das nossas possibilidades", disse Francisco Louçã, que falava no final de uma visita à Fundação para a Computação Científica Nacional, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Louçã assinalou ainda que este género de operação já foi feita por "19 das 20 empresas do PSI20".

A Jerónimo Martins, dona dos supermercados Pingo Doce, anunciou segunda-feira que a sociedade Francisco Manuel dos Santos vendeu a totalidade do capital que detinha no grupo à sua subsidiária na Holanda, mas mantém os direitos de voto.

O líder bloquista considerou que "ao mesmo tempo" que em 2012 "a política da 'troika' e a política do Governo pretende destruir a economia", há "quem se permita à violência da mesquinhez, como é o caso do presidente da Jerónimo Martins, a passagem de uma empresa para se proteger da sua obrigação do pagamento de impostos sobre os dividendos, fazendo, aliás, como já fez a Sonae, ou muitas outras empresas para se refugiarem na Holanda".

"No momento que estamos a viver em Portugal, é uma prova de que os donos da economia do país preferem a mesquinhez à responsabilidade", considerou.

"Eu estou à espera de ver se o ministro das Finanças diz alguma palavra sobre o que aconteceu com a Jerónimo Martins, quando aconteceu com a Sonae não disse nada, quando aconteceu com as outras empresas não disseram nada, 19 das 20 empresas do PSI20, ou seja, das maiores empresas portuguesas, já estão registadas na Holanda, o que eu ouvi, nas vésperas da passagem do ano, foi o ministro da Economia a dizer que acabamos o ano muito bem", ironizou.

Francisco Louçã lembrou ainda um episódio relacionado com a família Amorim: "Há pouco tempo, num processo judicial em Aveiro, soube-se que o homem mais rico de Portugal se atrevia a registar para abater no IRC das suas empresas despesas pessoais como viagens de família, festas de aniversário, um cinto de pele de crocodilo, objetos de higiene pessoal".

"O BE continuará sempre a considerar que a democratização da economia passa, em primeiro lugar, por reconhecer que estamos muito mal com esta política, nós não estamos a viver bem e o país precisa de se levantar para combater esta política de abuso. Apresentámos sempre propostas sobre a política fiscal que garantissem, sem qualquer margem de dúvida, que todas as operações feitas por empresas residentes em Portugal pagam, na totalidade, os impostos a que estão obrigadas", afirmou.



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