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Lucros da Modelo Continente caem 23% penalizados por Brasil; não paga dividendos (act)

Os resultados líquidos da Modelo Continente em 2002 atingiram os 100 milhões de euros, menos 23% que no período homólogo, penalizada pela queda do real no Brasil. À semelhança do ano passado a empresa não vai pagar dividendos.

Negócios negocios@negocios.pt 07 de Março de 2003 às 17:37
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Os resultados líquidos da Modelo Continente em 2002 atingiram os 100 milhões de euros, menos 23% que no período homólogo, penalizada pela queda do real no Brasil. À semelhança do ano passado a empresa não vai pagar dividendos.

Os resultados líquidos consolidados de 2002 da distribuidora da Sonae, após interesses minoritários, desceram 26% para 100 milhões de euros. Os analistas do BPI aguardavam uma descida mais acentuada para 81 milhões de euros.

As vendas líquidas da empresa desceram 6% para 3,53 mil milhões de euros e as vendas brutas caíram 6% para 4,069 mil milhões de euros.

Esta queda ficou a dever-se à performance da empresa no Brasil, onde as vendas desceram 23% para 1,271 mil milhões de euros, caíram apenas 1% em moeda local. Em Portugal as vendas cresceram 5% para 2,798 mil milhões de euros, beneficiando do acréscimo de 17% na actividade de base não alimentar. Em 2002 o real depreciou 21%.

«Caso a taxa de câmbio apresentasse uma evolução constante, o volume de negócios da Companhia teria crescido a um ritmo superior a 2%», destaca a Modelo Continente [MCON] num comunicado, explicando que a penalizar o Brasil esteve o «contexto de consumo marcado pela forte instabilidade política e pelas elevadas taxas de juro».

O EBITDA, ou «cash flow» operacional, desceu 11% para 296 milhões de euros, com a margem EBITDA a cair 0,4 pontos percentuais para 8,4%. No Brasil o «cash flow» operacional caiu para 54 milhões de euros, metade do verificado em 2001.

No mercado doméstico o EBITDA cresceu 7% para 242 milhões de euros, a que equivale uma margem de 9,8%, mais 0,3 pontos percentuais que no período homólogo.

Modelo reduz investimentos e dívida; não distribui dividendo

A Modelo Continente, fruto do recente aumento de capital e da redução do valor dos investimentos, conseguiu reduzir a dívida do ano passado para 690 milhões de euros, a que corresponde uma melhoria do indicador dívida/EBITDA de 2,7% para 2,3 em 2002.

Em 2002 os investimentos técnicos da empresa somaram 120 milhões de euros, «um montante substancialmente inferior aos dos exercícios mais recentes». Em comunicado a empresa adianta que esta queda «decorre do conjunto de opções da Modelo Continente relativamente ao seu plano de expansão, que foram influenciadas pelo contexto de fraca dinâmica do consumo, bem como pelos sérios entraves à expansão da moderna distribuição retalhista em Portugal, e pelo clima de instabilidade e de altas taxas de juro a que o mercado brasileiro esteve sujeito».

A Modelo Continente quer dar continuidade ao plano de desenvolvimento estratégico que definiu, no objectivo último de consolidar a posição de liderança que detém no mercado português e na região Sul do Brasil.

Para a empresa «no Brasil urge actuar no sentido de preparar as condições internas para o reatamento do plano de expansão logo que o cenário macro-económico o aconselhe».

Para isso e apesar de as perspectivas económicas não serem as melhores, a empresa «prevê abrir ao longo de 2003 cerca de 15.000 m2, basicamente por concretização das licenças que detém maioritariamente nos formatos de retalho não alimentar em Portugal.

Tal como o ano passado a empresa não vai distribuir dividendos aos accionistas, entre os quais se encontra a rival francesa Carrefour, pois a quedo do real poderá ter impacto nos capitais próprios.

«Apesar dos sinais positivos nos primeiros meses de 2003 veiculados pela evolução de alguns indicadores macroeconómicos e pelo sentimento mais positivo da população brasileira quanto ao futuro, o Conselho de Administração considera que se mantém latente o risco da continuada depreciação do Real, facto que terá impacto directo no valor contabilístico dos capitais próprios da Modelo Continente», refere a empresa em comunicado, adiantando que não vai voltar a distribuir dividendos, enquanto «não for atingido um patamar confortável de capitais próprios».

A Modelo Continente fechou ontem a descer 4,46% para os 1,50 euros, não tendo hoje negociado qualquer acção.

Por Nuno Carregueiro

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