Empresas Madeirense dá Prazo às PME para antecipar faturas

Madeirense dá Prazo às PME para antecipar faturas

A "fintech" criada por Pedro Fernandes na área do factoring digital quer chegar a empresas que têm muitas faturas, de vários compradores e valores mais reduzidos, financiando estas operações junto de pequenos bancos.
Madeirense dá Prazo às PME para antecipar faturas
Paulo Duarte
António Larguesa 10 de abril de 2019 às 12:35

"Fazemos tudo o que faz uma empresa de factoring. Só não temos o dinheiro". É esta a analogia que Pedro Fernandes, 38 anos, costuma utilizar para descrever o negócio que resolveu criar em março de 2018, depois de ter andado "sempre a vender dinheiro" em instituições financeiras desde que acabou a licenciatura.

 

Natural da Madeira, o gestor deixou a ilha quando veio estudar para a Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) e passou depois por várias empresas, com destaque para os quase oito anos – parte deles coincidentes com o período de crise no país –, em que trabalhou como executivo de vendas na Eurofactor Portugal.

 

Na pesquisa para o projeto final do MBA na Porto Business School, em 2017, encontrou alguns casos no estrangeiro que tentavam aplicar o "crowdfunding" ao financiamento de faturas. "Pensei que seria mais ajustado se fossem bancos mais pequenos a fazer esse financiamento. Assim surgiu a ideia e depois o plano de negócios" da Prazo.pt, descreve Pedro Fernandes, que tem como sócios dois professores e um ex-cliente com experiência em administração de empresas.

 

Neste serviço financeiro B2B de factoring digital, uma plataforma onde fornecedores e compradores podem gerir o crédito das suas relações comerciais, os dois funcionários instalados na Avenida da Boavista fazem "o trabalho pesado". Angariam as operações de factoring, analisam as modalidades e as características e apresentam-nas a bancos de pequena dimensão mas "recursos relevantes". Para já, trabalha com duas instituições com este perfil, que assim também "chegam a negócios que de outra forma não conseguiam porque não têm rede bancária – e alguns deles nem sequer escritório no Porto".

 

"Fazemos todo o trabalho de backoffice. Arranjamos o cliente e fazemos todo o processo chato. O banco só tem de decidir que quer fazer a operação e fazer o financiamento quando houver faturas para adiantar. Somos nós que cobramos, fazemos a afetação de pagamentos e o controlo de pagamento dos créditos", acrescenta ao Negócios o empresário de origem madeirense, que neste segmento tem como concorrente a Netinvoice, uma start-up criada pelo antigo administrador do Banco de Portugal, António Varela.

Tecnologia "desafia" créditos empresariais

 

O factoring é uma solução financeira para apoio à tesouraria e gestão de cobranças, através da qual a empresa cede créditos de curto prazo sobre clientes, resultantes da venda de produtos ou da prestação de serviços. Porém, ressalva Pedro Fernandes, a maior parte destas operações, feitas pelas vias tradicionais, são destinadas a grandes empresas, enquanto a Prazo.pt está a posicionar-se "um bocadinho abaixo", para servir as micro e PME que tipicamente têm "muitas faturas de muitos compradores" e valores mais baixos, o que torna estas operações mais complexas.

 

O líder desta "fintech" nortenha fala de um desafio de produto e também de tecnologia nesta indústria em que os processos ainda são muito manuais. "Ao tornarmos o processo digital conseguimos fazer de forma eficiente o serviço de factoring para faturas de montantes inferiores, que [os concorrentes tradicionais] normalmente não estão disponíveis para fazer", sustenta Fernandes, detalhando que a Prazo está posicionada para gerir processos relativos a linhas de financiamento entre cem mil e um milhão de euros.

 

Arranjamos o cliente e fazemos todo o processo chato. O banco só tem de decidir que quer fazer a operação e fazer o financiamento quando houver faturas para adiantar. Pedro Fernandes, administrador da Prazo.pt

 

Os clientes da Prazo.pt são sobretudo empresas com volume de negócios até dez milhões de euros, que já exportam alguma coisa, em segmentos em que os prazos de recebimento costumam ser longos e necessitam mais de tesouraria, dando o exemplo dos setores da metalurgia, do trabalho temporário ou do alimentar, com quem já trabalhou.

 

No primeiro ano de atividade, terminado em março, processou o equivalente a 1,5 milhões de euros de créditos. Reclamando que este negócio está a "alterar alguns fundamentais da gestão de créditos empresariais", principalmente dos que estão em contratos de factoring, Pedro Fernandes calcula que até ao final deste mês vai contratar operações cuja previsão de processamento de créditos, nos próximos 12 meses, equivale a 20 milhões de euros.




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