Empresas Maior construtora do mundo entra na corrida à compra da Brisa

Maior construtora do mundo entra na corrida à compra da Brisa

A China State Construction Engineering Corporation, que é a maior construtora do mundo, formou um consórcio com outras firmas chinesas e visa apresentar uma oferta vinculativa pela Brisa.
Maior construtora do mundo entra na corrida à compra da Brisa
Nuno Carregueiro 21 de fevereiro de 2020 às 11:32

A China State Construction Engineering Corporation (CSCEC), empresa estatal chinesa que é a maior construtora do mundo, está a formar um consórcio para apresentar uma oferta para comprar 80% da Brisa.

 

A notícia está a ser avançada pela Bloomberg, que dá conta que a CSCEC pretende entrar na corrida à compra da maior empresa de autoestradas portuguesa com pelo menos dois parceiros: a CNIC e o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

 

A CSCEC é detida a 100% pelo estado chinês e, segundo avançou o Negócios em setembro do ano passado, esteve em Portugal durante uma semana a fazer contactos com potenciais parceiros de negócio nas áreas da construção e arquitetura. Os alvos seriam os concursos do porto de Sines e do aeroporto do Montijo, sendo que a Bloomberg noticia agora que a Brisa também interessa à companhia estatal chinesa.

  

A CNIC também já tem ligações a Portugal, uma vez que é acionista de referência da EDP. Este fundo, também detido a 100% pelo estado chinês, tem atualmente 1,33% do capital da elétrica portuguesa, mas chegou a deter quase 5% do capital. Uma posição que somada à detida pela China Three Gorges permite às empresas estatais chinesas controlarem mais de 20% do capital da EDP.

 

Quanto ao Fundo de Cooperação, foi constituído em 2010 com uma dotação de mil milhões de dólares e tem como objetivo financiar empresas chinesas e de países de língua portuguesa.

 

Segundo a Bloomberg, o consórcio que será formado para concorrer à compra da Brisa poderá ainda contar com mais parceiros, sendo que foi contratado um "adviser" para assessoria na oferta que este consórcio chinês pretende colocar em cima da mesa.

 

O consórcio chinês não está sozinho na corrida e, segundo a Bloomberg, está em perspetiva a formação de mais consórcios, liderados sobretudo por companhias espanholas.

 

Tal como já tinha sido noticiado, a espanhola Global Via, a japonesa Marubeni e a espanhola Abertis também deverão apresentar ofertas vinculativas pela Brisa. Esta última, que é a maior firma de auto-estradas espanhola, poderá entrar num consórcio com o fundo soberano de Singapura, o GIC. A Bloomberg acrescenta que a Ardian e a MacQuarie poderão entrar nestes consórcios.

 

A Arcus Infrastructure Partners e o grupo José de Mello pretendem vender cerca de 80% da Brisa, num negócio que a Bloomberg avança que pode chegar a 3 mil milhões de euros e poderá ser o maior do ano no setor das infraestruturas na Europa.

 

Depois das fases de apresentação do negócio e manifestações de interessa por parte de várias empresas, está agora a chegar a altura de apresentação de ofertas formais e vinculativas, o que deverá acontecer ao longo das próximas semanas.

 

Em outubro passado, o grupo José de Mello e o fundo Arcus tornaram público terem colocado à venda, cada um, 40% dos direitos de voto na Brisa. Com a concretização da alienação, o fundo sairá do capital, enquanto o grupo José de Mello abdica do controlo da concessionária, mas permanece como acionista de referência com cerca de 20% dos direitos de voto.

O grupo José de Mello conta que a operação esteja concluída até ao final do primeiro semestre de 2020.

 

A Brisa Concessão Rodoviária (BCR), que gere 11 autoestradas em Portugal, fechou 2019 com lucros de 204,5 milhões de euros, uma subida de 22,6% face ao ano anterior. 

 

 

A maior construtora do mundo de olho em Portugal

O capital chinês, sobretudo estatal, está presente em diversas empresas de grande dimensão e dos mais variados setores: energia através da EDP e REN; banca através do BCP; seguros através da Fidelidade; e saúde através da Luz Saúde.

Os chineses marcam também presença nas infraestruturas em Portugal e podem agora reforçar, caso seja o consórcio da CSCEC a vencer a corrida à Brisa.

No ranking da ENR dos 250 maiores grupos a nível mundial do setor da construção a China State Construction Engineering Corporation surge em primeiro lugar. Em 2018 registou receitas no valor de 170 mil milhões de dólares (cerca de 154 mil milhões de euros) e obteve lucros de 6,8 mil milhões de yuan, o que equivale a mais de 790 milhões de euros.

A China Construction Third Engineering Bureau Group, sociedade da CSCEC que iniciou a investida em Portugal no ano passado, é um dos braços do grupo chinês que detém também a sociedade que em julho acordou com a Teixeira Duarte a compra de 50% da TDE - Empreendimentos Imobiliários. Neste caso a CSCEC – China Construction Portugal (sociedade de direito português constituída em janeiro de 2018) acordou pagar 31,1 milhões de euros de forma a criar uma parceria para o desenvolvimento de um projeto imobiliário em Oeiras. O projeto em causa será constituído por edifícios de escritórios, habitação e comércio, integrados num parque verde.




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