Banca & Finanças "Mãos à obra", pede António Domingues aos trabalhadores da CGD

"Mãos à obra", pede António Domingues aos trabalhadores da CGD

Após as dúvidas do BCE, António Domingues defende a equipa de gestão "com profundo conhecimento do sector financeiro". O novo CEO da CGD admite que há "grandes desafios" pela frente e promete "maior rigor" no uso do dinheiro estatal.
"Mãos à obra", pede António Domingues aos trabalhadores da CGD
Bruno Simão

"Mãos à obra!". É assim que António Domingues termina a mensagem que enviou aos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos no último dia de Agosto, o primeiro em que está em funções como presidente da instituição financeira de capitais públicos. 

 

Num texto com nove parágrafos dirigido aos 9.537 funcionários (número do final de Junho), o antigo administrador do BPI admite que a instituição vai "ter de enfrentar grandes desafios, resultantes da conjugação de factores internos e externos, num contexto de mudança estrutural do modelo de funcionamento dos serviços financeiros, em consequência das alterações tecnológicas e do próprio padrão de comportamento dos clientes".

 

"Com o apoio e colaboração de todos vós iremos, estou certo, ultrapassar os difíceis problemas que têm afectado nos últimos anos esta grande instituição e, em termos gerais, o sistema financeiro português", indica ainda o líder da instituição na mensagem a que o Negócios teve acesso. Sabe-se que uma das condições no novo plano para a Caixa Geral de Depósitos é a redução de pessoal, em torno de 2.500 trabalhadores, que será feita com reformas e rescisões amigáveis.

 

António Domingues acredita que será possível "vencer" o "desafio" partindo de "prioridades claras e um programa de execução rigoroso e determinado". "É nisso que concentraremos, todos em conjunto, os nossos esforços", sublinha. Há pistas sobre o que vai acontecer: "Vamos mobilizar-nos para cumprir os objectivos de desempenho, melhorar a receita, controlar os custos, gerir adequadamente os riscos e utilizar com o maior rigor o capital publico que nos esta confiado".

 

Na mensagem, o novo presidente executivo do BPI (o Banco Central Europeu não quer que Domingues acumule esse cargo com o de presidente da administração, pelo que terá de ser eleito um "chairman") relembra o aumento de capital de 5.160 milhões de euros que será feito na Caixa Geral de Depósitos.


"O aumento de capital que vai ser efectuado, em condições que alguns consideravam impossíveis, vai permitir um importante reforço do balanco da Caixa, tornando-a numa das instituições mais fortes do mercado, que lhe permitirá desenvolver a sua actividade com rigor e segurança", assinala António Domingues, assegurando que o plano vai criar "condições para gerar rentabilidades futuras positivas e remunerar adequadamente os capitais investidos pelo Estado, objectivo essencial para a estabilidade, solidez e continuo crescimento da nossa instituição".

O primeiro-ministro António Costa já tinha deixado um aviso ao seu homónimo neste dia em que a nova administração foi oficilizada: "Desejo um bom trabalho e que retribuam devidamente o investimento que o accionista, todos os contribuintes, faz na Caixa Geral de Depósitos". 

Há uma meta geral: "A Caixa continuará a ser um banco público, o banco de referência das famílias e empresas portuguesas, um pilar de estabilidade e solidez no sistema financeiro português".

 
Gestão tem "profundo conhecimento do sector financeiro"

O antigo braço direito de Fernando Ulrich no BPI também tem uma palavra para a equipa da administração que o acompanha e que também entrou em funções esta semana. O conselho de administração, diz, é "constituído por uma equipa de profissionais experientes, com profundo conhecimento do sector financeiro e provas dadas em funções de gestão muito exigentes".

 

O BCE aprovou 11 dos 19 nomes inicialmente avançados pelo Governo para a equipa de gestão da CGD, não sem antes impor como condição que três futuros gestores executivos – João Tudela Martins, Paulo Rodrigues da Silva e Pedro Leitão – tenham de frequentar um curso de Gestão Bancária Estratégica no INSEAD. Conforme noticiou o Negócios, Tudela Martins também vai ter de frequentar dois cursos de gestão de risco.

António Domingues será o responsável pela gestão da CGD. Esta quarta-feira, foram também aprovados os novos órgãos sociais do banco. Paulo Mota Pinto, ex-deputado social-democrata e ex-nome avançado para liderar o BES em 2014, é o presidente da mesa da assembleia-geral. Manuel Ferreira de Oliveira, antigo presidente da Galp, é o responsável pela comissão de remunerações. Guilherme de Oliveira Martins preside ao conselho fiscal. 




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