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Marega disse ter-se sentido humilhado e que não podia ter continuado em campo

"Não podia ter continuado naquele relvado. Com os insultos que recebi, com os gritos de macaco, isso não era possível. Foi uma grande humilhação para mim", disse Marega sobre a sua saída de campo a 20 minutos do final do jogo de domingo do FC Porto em Guimarães.

Peter Spark / Movephoto
Lusa 17 de Fevereiro de 2020 às 20:11
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O futebolista do FC Porto Moussa Marega disse esta segunda-feira, em declarações à rádio RMC, que não podia permanecer em campo depois dos insultos racistas de que foi alvo no estádio do Vitória de Guimarães, e confessou ter-se sentido humilhado.

"Não podia ter continuado naquele relvado. Com os insultos que recebi, com os gritos de macaco, isso não era possível. Foi uma grande humilhação para mim. Como é que eu podia ter continuado a jogar quando as pessoas se estão a rir da cor da tua pele?", questionou Moussa Marega, nas declarações feitas àquela rádio francesa.

O jogador do FC Porto confessou "ter vivido um domingo difícil", mas contou que "voltou a sorrir com todas as mensagens de apoio que recebeu, e que lhe deram esperança, e, sobretudo, quando reviu o filho".

Marega vestiu a camisola do Vitória de Guimarães na época 2016/17, por empréstimo do FC Porto, razão pela qual se diz "mais chocado com os insultos provenientes de adeptos do seu anterior clube".

"Sempre que jogo em Guimarães não celebro os golos que marco ao clube, por respeito, e aplaudo os seus adeptos no final", disse Marega, autor do golo da vitória do FC Porto no estádio Municipal de Guimarães.

No domingo, numa publicação na sua conta oficial na rede social Instagram, Marega já se tinha dirigido aos adeptos como "idiotas", contestando ainda o comportamento da equipa de arbitragem, liderada por Luís Godinho.

"E também agradeço aos árbitros por não me defenderem e por terem me dado um cartão amarelo porque defendo minha cor da pele. Espero nunca mais encontrá-lo em um campo de futebol! Você é uma vergonha!", escreveu então o maliano.

Entretanto, em Portugal as reações de condenação ao que se passou em Guimarães têm-se multiplicado, provenientes das mais diversas instituições, quer a nível político quer a nível desportivo, desde a Procuradoria-Geral da República, que mandou instaurar um inquérito aos acontecimentos, ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao Primeiro-Ministro, António Costa, até à Federação Portuguesa de Futebol e à Liga Portuguesa de Futebol Profissional, além de vários clubes a título individual.

No domingo, em Guimarães, durante um jogo da 21.ª jornada da I Liga de futebol entre o Vitória de Guimarães e o FC Porto, o avançado maliano dos 'dragões' Moussa Marega abandonou o jogo, após ter sido alvo de cânticos e insultos racistas por parte de adeptos da equipa minhota.

Vários jogadores do FC Porto e do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo, tendo acabado por ser substituído, numa altura em que os 'dragões' venciam por 2-1, resultado com que terminou o encontro.

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