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Margem financeira do BPI "desaponta" analistas

Prejuízos do BPI deveram-se à quebra da diferença entre os juros cobrados e os juros recebidos, o que trouxe uma análise negativa para os analistas. Pela positiva, o destaque é a intenção de reembolsar toda a ajuda estatal, o que poderá resultar num aumento ligeiro do preço-alvo, na óptica do Millennium IB.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 24 de Abril de 2014 às 13:58
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A margem financeira, que corresponde à diferença entre os juros cobrados nos créditos e os juros que remuneram os depósitos, é o destaque pela negativa nas análises que as casas de investimento fazem aos resultados do primeiro trimestre do Banco BPI.

 

"A principal diferença face às estimativas do Caixa BI está relacionada com a performance inferior ao estimado da margem financeira, com uma descida de 3,7% em termos homólogos", aponta o especialista André Rodrigues, na nota de "research" publicada esta quinta-feira, em que comenta os resultados relativos aos três primeiros meses do ano, apresentados ao mercado ontem.

 

Este indicador, que na prática representa a base do lucro das instituições financeiras, ficou em 112 milhões de euros no caso do banco liderado por Fernando Ulrich. O Caixa BI esperava 124,7 milhões. O valor corresponde a um deslize de 3,6% face ao mesmo período do ano passado, devido à "redução em 15 milhões de euros dos proveitos com juros da carteira de Bilhetes do Tesouro e da carteira de Obrigações do Tesouro (adquirida durante 2012 e alienada até final de Janeiro de 2013)".

 

O Millennium IB, pela voz da analista Vanda Mesquita, também considera que os resultados "desapontaram em termos de margem financeira e de comissões". Aliás, o título da nota de aconselhamento aos investidores é peremptória: "A margem financeira desapontou".


As perdas resultantes de menos-valias de 102 milhões de euros que o banco registou na venda de dívida pública portuguesa e italiana acabaram por ditar que o resultado líquido do BPI ficasse em terreno negativo. De lucros de 40,5 milhões nos primeiros três meses de 2013, a instituição apresentou um prejuízo de 104,8 milhões.

 

Preço-alvo pode aumentar com reembolso

 

Os prejuízos foram uma forma de, apesar do impacto, empurrar o BPI para fora do apoio do Estado. A administração do banco vai pedir, ao Banco de Portugal, para reembolsar toda a ajuda estatal injectada com dinheiro do resgate financeiro. O Caixa Bank comentou hoje que o plano definido pela equipa de Fernando Ulrich está “bem feito”

 

"O anúncio de que o banco solicitará o reembolso dos 420 milhões de euros de obrigações convertíveis ainda detidos pelo Estado (durante o segundo trimestre de 2014) reforça a nossa visão de que o reembolso antecipado desses títulos continua a ser a prioridade fundamental para a equipa de gestão do Banco BPI", comenta André Rodrigues, do Caixa BI, que atribui um preço-alvo de 1,50 euros para a instituição.

 

O Millennium IB tem exactamente o mesmo preço-alvo para o BPI. Mas este poderá subir ligeiramente "se este reembolso for autorizado, haverá um impacto positivo de 5 cêntimos no nosso preço-alvo", antecipa a analista Vanda Mesquita.

 

As acções do banco que Ulrich irá liderar até 2016, ainda que sem ter uma sucessão definida, estão hoje a negociar nos 1,916 euros, reflexo de uma desvalorização de 1,49%.

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

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