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Maria Luís Albuquerque: Exame do BCE mostra sistema bancário português "mais forte". BCP não precisa de apoio do Estado (act.)

Os testes de stress realizados pelo BCE "evidenciam que o sistema bancário português está hoje mais forte, apesar das dificuldades que passou", avalia a ministra das Finanças.

Miguel Baltazar/Negócios
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 27 de Outubro de 2014 às 11:17
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A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, considerou nesta segunda-feira, 27 de Outubro, que os resultados dos exames conduzidos pelo Banco Central Europeu (BCE) "evidenciam que o sistema bancário português está hoje mais forte, apesar das dificuldades que passou".

 

Em relação do BCP, a ministra salientou que as reservas levantadas pelo BCE relativamente à insuficiência dos rácios de capital resultam quando se fazem simulações no quadro do cenário mais negativo de evolução da economia, e que, mesmo nesse cenário mais adverso, as medidas recomendadas, em particular o reforço de capital, já estão a ser postas em prática pelo banco.

 

Questionada pelos jornalistas sobre a eventual necessidade de o BCP voltar a recorrer ao Estado para se capitalizar, Maria Luís Albuquerque recusou a sua verossimilhança. "Não vejo qualquer razão para que se pondere e considere que tenha de haver uma intervenção [pública] no BCP. Se a questão já estava ultrapassada, não há qualquer razão para pensar que possam ser necessários capitais públicos no BCP, tanto mais depois de ter feito um aumento de capital privado tão expressivo e – recordo – numa altura tão difícil de mercado, o que demonstra ainda mais a solidez do próprio BCP."

 

"Estamos a falar de acções concretas, realizadas, postas em prática, e não apenas ideias para o futuro. Permitem-nos concluir que mesmo que, no cenário mais adverso e teórico, se fossem considerados os dados de agora e não os do final de 2013, o problema não se colocaria".

 

A ministra lembrou que, depois de ter realizado "um dos maiores aumentos de capital da história", o BCP devolveu 1.850 milhões de euros ao Estado do apoio que tinha recebido através da linha da troika reservada à banca, estando por devolver 750 milhões.

 

A ministra falava durante a conferência de imprensa de apresentação do 'Economic Survey' de Portugal, relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

 

Também Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, considerou que Portugal não tem um problema na banca, salientando a resiliência demonstrada pelo sector na sequência do colapso do grupo Espírito Santo. "Em Portugal, a questão dos bancos não é uma questão. Está controlada", disse. Ainda assim, acrescentou, "é possível fazer mais": "os bancos podem ser incentivados a aumentar os fundos próprios ainda mais se necessário" e criar mecanismos para que os prejuízos sejam detectados "atempadamente".

 

O BCP foi o único banco português a "chumbar" nos testes de 'stress' do Banco Central Europeu (BCE) e da Autoridade Bancária Europeia (EBA), onde foi identificada uma falta de capital no cenário mais adverso tendo em conta a informação disponível no fim de 2013. Já a CGD e BPI tiveram nota positiva. O Novo Banco ainda não foi avaliado.

 

Refere a Lusa que o relatório da OCDE defende que uma das formas de contribuir para a estabilidade financeira é "limpar" grande parte das carteiras de crédito a empresas nos balanços dos bancos, recomendando, tal como já o fez o Fundo Monetário Internacional,  uma "abordagem pró-activa" nesse sentido, através de uma "reestruturação ordenada da dívida do sector corporativo".

 

A recuperação das empresas seria importante até pelos elevados montantes de crédito malparado de empresas que existem nos bancos e que, segundo a OCDE, contribui para a "fragilidade" do sistema financeiro português "no lado dos ativos", apesar dos recentes esforços feitos noutros sentidos, como os reforços de capital.

 

A organização cita dados segundo os quais 31% das empresas portuguesas têm credito vencido, face aos menos de 20% em 2009, e que o endividamento das empresas já representa 156% do Produto Interno Bruto - o quarto mais alto nível de divida corportativa entre os 25 países para os quais há dados disponíveis (depois de irlanda, Islândia e Luxemburgo) .

 

(notícia actualizada pela última vez às 12h30) 

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