Banca & Finanças Maria Luís nunca escreveu a Bruxelas a discordar de um Banif reduzido às ilhas

Maria Luís nunca escreveu a Bruxelas a discordar de um Banif reduzido às ilhas

"Por escrito, acho que não, mas verbalmente posso garantir que sim", disse Maria Luís Albuquerque. Discordar por escrito iria criar problemas de confrontação com a Comissão Europeia, defendeu. 
Maria Luís nunca escreveu a Bruxelas a discordar de um Banif reduzido às ilhas
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 02 de junho de 2016 às 20:52

A antiga ministra das Finanças nunca disse a Bruxelas, numa comunicação formal por escrito, que discordava da redução do Banif a um banco das ilhas, reduzido às regiões autónomas da Madeira e dos Açores. Maria Luís Albuquerque justifica-o com a necessidade de evitar confronto. Mas garante que disse-o pessoalmente.

 

"Não vejo como é que a estratégia de confrontação nesses termos pudesse produzir bons resultados. Tem de ser uma estratégia de negociação permanente", afirmou Maria Luís Albuquerque na audição desta quinta-feira, 2 de Junho, na comissão parlamentar de inquérito.

 

Em resposta à deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua, a deputada social-democrata defende que o modo de diálogo por si escolhido foi bem-sucedido, tendo conseguido "capital de boa vontade e tolerância".  

 

Questionada especificamente se alguma vez escreveu alguma carta ou comunicação escrita à Direcção-Geral da Concorrência discordando da redução de 40% dos activos do Banif, como Bruxelas pretendia, Maria Luís admitiu que "nunca" o fez. "O que nunca fiz foi escrever uma carta a dizer que me recusava a cumprir", esclareceu. "Por escrito, acho que não, mas verbalmente posso garantir que sim", voltou a dizer.

 

Na audição desta quinta-feira, Maria Luís Albuquerque voltou a dizer que a primeira resposta da Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia em relação a auxílios estatais, que têm de ser aprovados por Bruxelas, é sempre um "não". Depois é preciso ir conseguido conversar e dialogar e defende que foi sempre isso que foi fazendo. 

 

A redução do Banif a um banco das ilhas era a forma defendida por Bruxelas para conseguir validar a ajuda de 1,1 mil milhões de euros no início de 2013, sem haver riscos de concorrência desleal. Contudo, em Lisboa, ninguém concordava com aquela solução, justificando que uma redução tão drástica da estrutura iria impedir a devolução do auxílio estatal. 

 

A antiga ministra das Finanças marca uma das últimas audições da comissão de inquérito: na próxima quarta-feira, Jorge Tomé volta a ser ouvido; Carlos Costa dá o depoimento na quinta-feira e Mário Centeno fecha a fase do inquérito parlamentar no dia 14. 




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