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Martifer coloca mais de 200 trabalhadores em lay-off e não recebe reforço de capital

Os irmãos Martins e a Mota-Engil não avançaram com o reforço de capital de 40 milhões de euros através da reconversão de dívida que tinha sido aprovada em assembleia geral a 19 de dezembro do ano passado.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 01 de Maio de 2020 às 22:40
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A Martifer anunciou esta sexta-feira que o impacto da pandemia da covid-19 obrigou a companhia a suspender a atividade da fábrica de estruturas metálicas "OF2", colocando assim mais de 200 trabalhadores desta unidade de Oliveira de Frades em lay-off durante pelo menos um mês.

Em comunicado à CMVM a companhia afirma que os efeitos da pandemia covid-19 "têm originado fortes perturbações no exercício da atividade de uma das suas unidades fabris", provocando "interrupção das cadeias de abastecimento de matéria-prima e da suspensão de encomendas ou obras, situação que se vem verificando, e agravando, desde o final do mês de março de 2020".

Desta forma, a companhia liderada por Pedro Duarte decidiu recorrer à medida de lay-off parcial simplificado entre 1 e 31 de maio de 2020 para 181 trabalhadores da unidade a fábrica de estruturas metálicas "OF2" e 38 dos trabalhadores de "back office" com funções exclusivas de apoio a esta unidade fabril.

No comunicado a Martifer refere que os trabalhadores poderão ficar em lay-off mais do que um mês, apesar de ter a expetativa de retomar a produção desta unidade em junho.

Quanto às outras unidades fabris da companhia - fábrica de fachadas e alumínio em Oliveira de Frades  e estaleiros de Viana do Castelo e de Aveiro – vão continuar a laborar.

"A aplicação destas medidas excecionais e temporárias visa garantir a manutenção dos postos de trabalho e a melhor salvaguarda do futuro da empresa e do seu universo de colaboradores", refere a companhia.

Maiores acionistas não convertem dívida em capital

Num outro comunicado, a Martifer informa que ficam sem efeitos as medidas aprovadas pelos acionistas na assembleia geral realizada no final de 2019 e que autorizavam os irmãos Martins e a Mota-Engil a reforçarem os capitais próprios da companhia em 40 milhões de euros. 

Este reforço seria feito por via da conversão de dívida em capital por parte dos dois maiores acionistas da Martifer. Mas a operação fica sem efeito por "não terem sido concretizados nos prazos estabelecidos e aprovados" os contratos de suprimento previstos.

Os contratos de suprimentos aprovados em AG ficariam sem efeito no caso de não serem celebrados no prazo de quatro meses, o que veio a acontecer.

No comunicado não são adiantados os motivos pelos quais a I’M SGPS dos irmãos Martins e a Mota-Engil não avançaram com esta injeção de capital na Martifer.

A empresa diz apenas que apesar deste revés, "continuará a procurar implementar medidas de reforço de capitais, sendo que informará tempestivamente o mercado se e quando tais medidas se encontrarem em condições de ser implementadas".

A Martifer é controlada em 82% pelos dois principais acionistas. A I'M SGPS detém 43,86% e a Mota-Engil tem outros 38,35%.

Depois de em 2017 ter obtidos lucros de 6,5 milhões de euros, os primeiros após sete anos em que acumulou 370 milhões de euros de prejuízos, e apenas 1,5 milhões no ano seguinte, a Martifer fechou o último exercício com um robusto resultado líquido de 23,5 milhões de euros.

A empresa fechou 2019 com uma dívida líquida comparável de 119 milhões de euros.

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