Indústria Medicamento para Parkinson da Bial vai chegar a Itália antes de Portugal

Medicamento para Parkinson da Bial vai chegar a Itália antes de Portugal

O Ongentys, o medicamento da Bial para doentes de Parkinson, já está a ser comercializado em vários países da Europa, devendo ser introduzido “a muito breve prazo” em Itália, mas ainda se desconhece quando chega às farmácias portuguesas.
Medicamento para Parkinson da Bial vai chegar a Itália antes de Portugal
Amândia Queirós/Cofina
Rui Neves 17 de abril de 2018 às 16:32
O medicamento desenvolvido pela maior farmacêutica portuguesa para doentes de Parkinson, o Ongentys, já é comercializado nos principais mercados europeus, como a Alemanha, o Reino Unido e Espanha, mas continua sem ter autorização para chegar às farmácias nacionais. 

"Em Portugal? Não sei", respondeu António Portela, CEO da Bial, quando instado pelos jornalistas a avançar com uma data previsível para a comercialização do Ongentys no nosso país, prosseguindo as negociações com o Infarmed.

Antes de Portugal, o medicamento onde a Bial investiu 300 milhões de euros será introduzido em Itália, onde já tem "preço e comparticipações aprovados". 

O Ongentys representou cerca de 10 milhões de euros da facturação de Bial em 2017, que chegou aos 270 milhões de euros, enquanto o outro medicamento desenvolvido pela farmacêutica, o Zebinix, para doentes epilépticos, no qual a Bial investiu 350 milhões de euros, gerou vendas de 90 milhões de euros. 

Os próximos passos para o Ongentys vão ser garantir a sua aprovação nos Estados Unidos, Japão, China e Coreia do Sul, onde Bial já tem parceiros comerciais a quem licenciou a tecnologia.

Nos caso dos Estados Unidos, o CEO da Bial saudou o sinal dado pela FDA - Food and Drug Administration de que o processo de aprovação está na fase final, pelo que a farmacêutica portuguesa "não terá que investir mais umas dezenas de milhões de euros em ensaios", permitindo-lhe assim "chegar mais cedo ao mercado norte-americano". 

Sobre o retorno do investimento nos primeiros dois medicamentos desenvolvidos pela Bial, António Portela mostrou-se cauteloso. "No caso do Zebinix, temos mais quatro anos para capitalizar o investimento realizado", reportando-se aos 20 anos de prazo de exclusividade da patente. 

Quanto àquele que será o terceiro medicamento desenvolvido pela equipa de cientistas da Bial, Destinado à hipertensão pulmonar arterial, António Portela garantiu que "não chegará ao mercado antes de 2022".

Portela falava num encontro com jornalistas, realizado na tarde desta terça-feira, 17 de Abril, e que antecedeu a cerimónia de inauguração, pelo primeiro-ministro, da ampliação do Centro de Investigação & Desenvolvimento da Bial, que representou um investimento de cinco milhões de euros.

Após o investimento na duplicação da área de I&D, o CEO da Bial relembrou que a empresa pretende também "começar já em 2019" as obras para a duplicação da capacidade industrial do complexo fabril da Trofa, num investimento orçado em 12 milhões de euros e que deverão ficar concluídas "em três anos".

De resto, Portela afirmou que a Bial, cuja facturação cresceu 17% em 2017 em relação ao ano anterior, prevê "continuar a crescer a este ritmo, a dois dígitos, nos próximos anos". 



Saber mais e Alertas
pub