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Mercado do gás natural liquefeito vai duplicar dimensão até 2010

O sector do gás natural liquefeito (GNL) deverá duplicar a sua dimensão entre 2005 e 2010, representando cerca de 40% do crescimento do fornecimento global de gás, segundo um relatório da PwC. O GNL é uma forma de distribuição e não uma nova fonte de ener

Tânia Ferreira tf@negocios.pt 07 de Maio de 2007 às 11:17
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O sector do gás natural liquefeito (GNL) deverá duplicar a sua dimensão entre 2005 e 2010, representando cerca de 40% do crescimento do fornecimento global de gás, segundo um relatório da PwC. O GNL é uma forma de distribuição e não uma nova fonte de energia.

Com mais de 90% das actuais reservas provadas de gás situadas fora dos principais mercados da OCDE – muitas com pouca probabilidade de se ligarem a gasodutos – as infra-estruturas e tecnologia GNL fornecem os meios de colocar no mercado e rentabilizar reservas de gás que, de outra forma, seriam abandonadas.

Este mercado tem vindo a ganhar novos "players" e, em 2015, a quota de capacidade de exportação de GNL das dez maiores empresas exportadoras deverá cair para 60%, comparando com os 85% que partilhavam em 1995.

O Qatar, a Nigéria e a Austrália lideram a lista de países com maior crescimento das exportações de GNL. O comportamento positivo do Qatar, com capacidade para fornecer os mercados do Atlântico e do Pacífico, é um factor relevante num mercado mais global. Além disso, está planeado o desenvolvimento de novas produções de GNL em países como o Irão, a Federação Russa e o Iémen.   

Para os proprietários de activos de gás a montante (produção) este facto representa a abertura de um mercado mundial de gás. Para as "utilities" e agências de energia nos mercados de destino trata-se de uma forma de diversificar e assegurar o abastecimento de energia. Ambos os aspectos são fundamentais num mundo de "insegurança na energia".

Um novo relatório elaborado pela PricewaterhouseCoopers (PwC) analisa como esta tendência está a apresentar, simultaneamente, novas oportunidades e dilemas estratégicos para as empresas energéticas. Além disso, o relatório salienta que o futuro do sector não depende apenas das empresas energéticas; as instituições financeiras, construtores navais e empresas de engenharia vão ter uma influência considerável nos programas de investimento em GNL dos governos, empresas de transporte e infra-estruturas, bem como dos investidores privados.

O relatório, denominado "Valor e crescimento no mercado de gás natural liquefeito" analisa o actual momento do mercado de GNL, perspectiva onde estará daqui a uma década e identifica quatro estratégias principais que as empresas podem implementar em resposta aos riscos e desafios deste mercado em mutação: "upstream push", "market pull", "full integration" e "portfolio players".  

Sector com mais crescimento na energia

Para Luís Ferreira, partner da PricewaterhouseCoopers, "o mercado de GNL é um dos sectores de crescimento mais rápido do mercado energético e vai claramente assumir uma posição de maior relevância no mundo da energia. A comprovar isso, este estudo refere que Portugal será um dos sete países do mundo com maior crescimento das importações de GNL até 2015 (de 1,6 mil milhões de metros cúbicos em 2005 para 3,5 mil milhões de metros cúbicos).

Além disso, o mercado vai ser caracterizado pela complexidade e globalização, o que exige uma mudança na visão estratégica de muitos dos intervenientes, afastando a tradicional cadeia de abastecimento linear, composta por fornecedores e compradores fixos, para adoptarem um modelo de mercado desagregado mais flexível", concluiu Luís Ferreira.

O mercado de GNL está a tornar-se mais diversificado e dinâmico, com maior flexibilidade e crescimento do comércio global, em paralelo com o padrão antigo de comércio de GNL "ponto a ponto". A estrutura de mercado, em parte global, em parte regional, cria oportunidades significativas em termos de arbitragem e diversificação de fluxos de GNL.

Mas o relatório também lança um alerta, assinalando que o anterior negócio de GNL esteve sujeito a enormes altos e baixos, com algumas infra-estruturas construídas nos anos 70 que permaneceram inutilizadas até à década de 90. O GNL continua a ser um aceitante de preços (price-taker) e não um fixador de preços (price-setter) na maioria dos mercados de gás e o seu valor depende do equilíbrio entre os preços do petróleo e gás, o preço de outras fontes de combustível como o carvão e o nuclear, e o custo do carbono.

A tecnologia vai ter uma grande influência na futura estrutura do mercado e um conjunto de desenvolvimentos pode transformar ainda mais o papel do GNL. A regaseificação a bordo dos navios, a liquidificação de pequena escala e os terminais de liquidificação, podem abrir perspectivas a muito mais players e fornecedores não-tradicionais para conseguirem entrar em consórcios e modelos de abastecimento tradicionais.

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