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Metade das start-ups só tem capital até seis meses, a outra metade quer contratar

Mais de um terço das start-ups admite não sobreviver à covid-19, com 32,4% a registar perdas nas vendas superiores a 60%, enquanto 10% já efectuou despedimentos, revela um estudo sobre o impacto da pandemia no ecossistema e empreendedorismo português.

Bloomberg
Rui Neves ruineves@negocios.pt 13 de Maio de 2020 às 16:04
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A esmagadora maioria (90,2%) das start-ups portuguesas não efetuou ainda despedimentos, ao contrário de 8,2% que despediu 1% a 20% da equipa e de 1,6% que despediu 21% a 40% da equipa, sendo que, dos despedimentos processados, a maior parte dos perfis (30%) relacionava-se com marketing e vendas.

 

A grande maioria também não realizou cortes nos salários (82%) nem planeia fazer despedimentos nos próximos três meses (91,8%), havendo até uma boa parte (44,3%) que pretende contratar, principalmente pessoas com perfil tecnológico (67,9%).

 

Estas são algumas das conclusões do segundo inquérito efetuado a 61 CEO e fundadores de start-ups, com escritórios em Portugal, realizado entre 27 de abril e 6 de maio, pela Aliados Consulting em parceria com a FES Agency, sobre o impacto da pandemia no ecossistema de empreendedorismo nacional.

 

No mais recente estudo "O Ecossistema de Empreendedorismo Português e a Covid-19 – Análise do Impacto", o cenário traçado é mais positivo do que o encontrado há pouco menos de dois meses.

 

Na altura, 73,1% das start-ups afirmava estar a sofrer um impacto negativo e 43,9% admitia perdas nas vendas superiores a 60%, sendo que 44,9% mostrava receio em relação ao possível encerramento da start-up e 62,8% considerava que o valor da sua start-up estava a ser afetado.

 

"Agora, há mais start-ups que dizem estar a ser impactadas positivamente (13,1%) e que são das áreas da saúde ou da educação", enfatizam as promotoras do inquérito, em comunicado.

 

Ora, na análise anterior, apenas 6,4% das start-ups afirmava que o impacto desta situação de saúde pública estava a ser positivo nas vendas.

 

Outras conclusões do estudo reforçam este maior otimismo: 52,5% das start-ups espera que a situação relativamente a vendas evolua de forma positiva nas próximas semanas, em contraste com os 60,3% que acreditava, em março, que a situação ainda iria piorar.

 

No entanto, 49,2% destas empresas tem apenas até seis meses de capital disponível, "o que significa que o prolongamento desta situação pode ameaçar seriamente a sua sobrevivência", alerta a Aliados e a FES.

 

Da amostra, 60,7% não está a levantar capital de risco e a grande fatia (72,13%) encontra-se à procura de soluções alternativas para financiar a empresa, seja através de projetos como Portugal 2020 ou setor bancário.

 

Quanto a redução de custos, 67,2% das start-ups inquiridas teve de tomar esta opção, sendo que 85,4% realizou cortes em serviços contratados e 48,8% cortou no orçamento de marketing.

 

De destacar, ainda, que 34,1% optou por suspensão de pagamento de rendas e 24,4% efetuou cortes em regalias para os colaboradores.

 

Medidas de apoio anunciadas pelo Governo: o top das más e das boas

O estudo "O Ecossistema de Empreendedorismo Português e a covid-19 – Análise do Impacto" esmiuça, também, a visão das start-ups sobre as medidas excecionais e temporárias de apoio às PMEs e microempresas anunciadas pelo Governo,

 

A maioria (59%) das start-ups respondeu que não usufruiu destas medidas. Entre os restantes, a medida mais "popular" é o lay-off simplificado, com 11,5% delas a ter optado por usufruir deste apoio.

 

Pouco mais de metade da amostra (55,7%) pretende usufruir das medidas específicas para start-ups anunciadas pelo Governo ("StartupRH Covid19", "Startup Voucher", "Vale de Incubação", "’Mezzanine’ funding for Startups" e "Covid-19 – Portugal Ventures"), sendo a medida "StartupRH Covid19" a que conta com mais popularidade.

Questionados sobre o que pensam destas medidas no que diz respeito à sua relevância, a medida "StartupRH Covid19" é a que reúne mais simpatia, com 36,06% da amostra a considerá-la relevante ou muito relevante.

 

Já a medida "’Mezzanine funding for Startups" é, para 32,78%, relevante ou muito relevante, assim como a medida "Covid-19 – Portugal Ventures" para 31,2% dos inquiridos.

 

"No entanto, parece não haver consenso", concluem as promotoras do estudo. É que a fatia que considera estas medidas irrelevantes ou pouco relevantes é ainda mais significativa – 41% em relação à medida "StartupRH Covid19", 36,1% sobre a medida "’Mezzanine’ funding for Startups" e 39,3% quanto à medida "Covid-19 – Portugal Ventures".

Ainda pior classificadas estão as medidas "Startup Voucher" e "Vale de Incubação", com 60,6% e 54,1%, respetivamente, a considerarem-nas irrelevantes ou pouco relevantes.

 

Das start-ups inquiridas, 67,2% são do Porto, 16,4% de Lisboa, 14,8% de Braga e 1,6% de Coimbra, sendo que a maior parte conta com 1 a 10 colaboradores (65,6%) e não tem investimento de capital de risco (63,9%).

A FES – Filling Empety Spaces – é uma agência de comunicação e eventos especializada em tecnologia, enquanto a Aliados Consulting se apresenta como uma consultora de inovação focada na capacitação de pessoas e organizações para a transição para um futuro sustentável.

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