Indústria Metal português exportou mais uma indústria do calçado em 2017

Metal português exportou mais uma indústria do calçado em 2017

A indústria de metalurgia e metalomecânica superou a barreira dos 16 mil milhões nas exportações. Com maior taxa de crescimento fora da Europa, o acréscimo igualou o total das vendas de sapatos portugueses no estrangeiro.
Metal português exportou mais uma indústria do calçado em 2017
Direitos Reservados
António Larguesa 20 de fevereiro de 2018 às 17:26

As exportações de metalurgia e metalomecânica ultrapassaram pela primeira vez os 16 mil milhões de euros em 2017, em resultado de um crescimento homólogo de 12% que valeu a revalidação do título de sector industrial mais exportador da economia portuguesa.

 

Face a 2016, estas empresas venderam mais quase 1.900 milhões de euros a clientes estrangeiros. Ou seja, este acréscimo é equivalente ao total das exportações da indústria portuguesa de calçado durante o ano passado, que renderam um novo recorde à auto-intitulada "indústria mais sexy da Europa".

 

Com menos sensualidade e mais heterogeneidade nos produtos produzidos – vão desde agulhas, gruas, talheres, panelas, componentes para automóveis, máquinas industriais ou estruturas para torres eólicas –, as exportações do sector do metal totalizaram 16.440 milhões de euros. Espanha, Alemanha e França continuam a dominar o pódio dos melhores destinos.

 

Segundo os dados compilados pela associação do sector (AIMMAP) com base nas estatísticas de comércio internacional do INE, apesar de os mercados da União Europeia (UE) prosseguirem como os mais valiosos, o maior contributo para este máximo histórico nas exportações foi dado pelos compradores nos mercados extra-comunitários, onde a taxa de crescimento foi superior (22% vs. 9,2% na UE).

 

O Reino Unido começa a perder importância. Embora a descida ainda seja residual, o sector já está há muito a preparar o embate previsível do Brexit. RAFAEL CAMPOS PEREIRA, PORTA-VOZ DA AIMMAP
 

"Continuamos a puxar pela economia portuguesa. Os nossos esforços de promoção do sector fora dos mercados europeus ajudaram a contribuir para o bom desempenho das nossas exportações. A China e o Brasil estão a conquistar cada vez mais peso", salientou o vice-presidente executivo da AIMMAP, Rafael Campos Pereira. A par destes dois mercados emergentes, Marrocos e EUA foram os outros mercados com maior crescimento, depois de em 2016 terem sido precisamente os países fora da Europa responsáveis pela estabilização das exportações.

O porta-voz desta associação industrial fundada há 60 anos, com sede no Porto e liderada actualmente por Aníbal Campos (dono da Silampos), fez também uma alusão ao começo da "perda de importância" do Reino Unido. Citado numa nota de imprensa, referiu que "embora a descida ainda seja residual", este sector que emprega cerca de 217 mil pessoas "já está há muito a preparar o embate previsível" do Brexit.

 

Mais investimento e menos trabalhadores

 

Além de ser o sector mais exportador da economia nacional, a metalurgia e metalomecânica entraram também no radar do investimento estrangeiro. Só nos últimos dois anos, mais de duas dezenas de empresas internacionais instalarem-se sobretudo nos distritos de Viana do Castelo, Porto e Aveiro, provenientes desde a vizinha Galiza até à Índia, e especializadas em diferentes segmentos, do fabrico de peças para automóveis até sanitários em inox.

 

Uma das últimas multinacionais a escolherem Portugal foi a dinamarquesa Vestas, que se dedica ao fabrico, instalação e manutenção de aerogeradores e investiu dez milhões de euros para concentrar em Matosinhos o desenho dos serviços e dos produtos para o mercado global. Instalada no Centro Empresarial da Lionesa, já criou 120 postos de trabalho e na semana passada anunciou que espera duplicar o número de contratações até ao final de 2018.

 

No capítulo da mão-de-obra, porém, o cenário é um pouco mais sombrio para o sector do metal, à imagem do que sucede na generalidade das áreas industriais. Um estudo efectuado pela AIMMAP no final de 2017 apontou mesmo um défice de 28 mil trabalhadores. "Estamos a falar de operários qualificados, soldadores, serralheiros, operadores de máquinas e engenheiros. Mas em algumas regiões nem trabalhadores indiferenciados conseguimos contratar", lamentou Rafael Campos Pereira.




pub