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Metro, comboio e barcos. Os portugueses usam-nos cada vez menos

É uma realidade que se intensificou ao longo do ano passado: há cada vez menos passageiros de transportes colectivos em Portugal. O desemprego em máximos históricos explica parte da descida. O aumento dos preços também.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2013 às 14:53
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Os últimos três meses de 2012 foram marcados pela queda de dois dígitos dos passageiros transportados seja por barco, comboio ou metropolitano.

 

No quarto trimestre do ano, houve menos 12,6% de passageiros nos metros de Lisboa e Porto, menos 12,2% nos comboios e menos 11,5% nos barcos, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

A subida dos preços dos transportes, que se voltou a repetir em Janeiro deste ano, tirou passageiros aos transportes públicos. Também se tem dito que a crise poderá estar a impulsionar as burlas - e tirar receitas às transportadoras. Mas será, sobretudo, o desemprego que estará a justificar a quebra na procura nos vários meios de transporte. No quarto trimestre de 2012, a taxa de desemprego em Portugal chegou a um novo recorde nos 16,9%.

 

Sem emprego, as pessoas tendem a utilizar menos os transportes como o metro ou o comboio suburbano que, mais naturalmente, estão destinados a movimentações quotidianas.

 

O último trimestre de 2012 foi ainda penalizado pelo mês de Dezembro, marcado pelas festividades do Natal e do Ano Novo, que podem ter contribuído para uma descida da procura.

 

Este menor número de passageiros, resultado do desemprego e do maior custo de transporte (a actualização dos preços deste ano seguiu-se à escalada verificada entre Agosto de 2011 e Fevereiro de 2012), foi acompanhada de uma descida da oferta dos serviços dos transportes. Há um corte de custos mas há receios de que as receitas não consigam compensá-los, dado que são menos os passageiros a utilizar a sua rede.

 

Metro de Lisboa com menos 16,5% dos passageiros

 

Olhando para o transporte metropolitano em Lisboa, assegurado pelo Metro de Lisboa, verifica-se que 37,6 milhões de pessoas utilizaram as suas quatro linhas. O número, divulgado no destaque do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicado nesta quarta-feira, 27 de Fevereiro, mostra uma descida de 16,5% dos passageiros transportados entre Outubro e Dezembro face ao mesmo período do ano anterior.

 

A quebra trimestral de 16,5% dá continuidade às descidas do número de passageiros que já se vinha a verificar desde o início do ano. No primeiro trimestre, a diminuição foi de 9,6%, depois passou para 13,1% e, no terceiro trimestre, para 14,8%.


O INE menciona o facto de o metropolitano de Lisboa ter cortado os lugares que oferece (na linha verde, por exemplo, só circulam comboios com três carruagens e, a partir de determinada hora, acontece o mesmo nas noutras linhas). A oferta de lugares por quilómetro caiu 18,7% o que, apesar da redução de passageiros, fez com que a taxa de utilização da rede (que relaciona os passageiros e os lugares) subisse um ponto percentual para 27,1%.

 

No Porto, a descida trimestral foi menos acentuada, apenas de 0,3%, com 14,2 milhões de passageiros a utilizar o metro. Este desempenho do metro do Porto faz com que, na totalidade do transporte por metropolitano, a queda global se tenha fixado nos 12,6%.

 

Na segunda maior cidade, a taxa de utilização do transporte por metropolitano foi mais baixa que em Lisboa, de 18,3%, uma décima percentual acima do trimestre homólogo.

 

Comboios com quebra de 12,2% nos passageiros  

 

O cenário não é diferente quando se analisa o transporte ferroviário pesado (o comboio tradicional). Nos últimos três meses do ano, foram transportados 32 milhões de passageiros, número que fica 12,2% abaixo do registado no mesmo período do ano anterior. A queda ficou em linha com as sentidas nos restantes trimestres de 2012.

 

A rede suburbana (que liga as maiores cidades às localidades mais próximas), que representa 89,8% da rede total, verificou um deslize de 11,9% nos passageiros transportados (28,7 milhões). O tráfego interurbano caiu 14,5%.

 

O único tipo de transporte ferroviário que não se caracterizou pelo desempenho negativo foi o tráfego internacional, onde continuaram a ser transportados 23 milhões de passageiros, como no trimestre anterior.

 

Há menos 11,5% de passageiros a passar o Tejo de barco

 

O movimento de passageiros nas travessias fluviais caiu 11,5% entre Outubro e Dezembro, fixando-se agora nos 6,2 milhões transportados. O INE assinala que este trimestre consolidou “a tendência de diminuição do número de passageiros do transporte fluvial, que tem vindo a suceder desde há dois anos”.

 

Todas as travessias do Tejo, que representam 95,7% do total, tiveram menos passageiros nos últimos três meses do ano do que no mesmo período de 2011. A maior quebra homóloga foi a de Belém-Trafaria (19,6%), seguida da linha que liga Cais do Sodré a Cacilhas (a que transporta mais passageiros - 2,6 milhões). A ligação do Terreiro do Paço e Barreiro, a segunda maior em termos de passageiros (2,4 milhões), registou uma descida de 9%. A quebra menos intensa foi a da ligação entre Cais do Sodré e Montijo, de 5,9%, embora o volume total de passageiros tenha sido mais baixa (390 mil).

 

As restantes travessias fluviais do país sentiram reduções na procura. No rio Sado, os barcos transportaram menos 23,6% de passageiros sendo que, nas rias de Aveiro, Formosa e Guadiana, as descidas foram igualmente de dois dígitos.

 

Aviões contrariam tendência

 

Menos susceptível à crise portuguesa (dado que uma eventual queda na procura por passageiros portugueses pode ser compensada por uma maior procura por passageiros internacionais), os aeroportos observaram um maior movimento de passageiros, de acordo com o INE.

 

Foram transportados 6,6 milhões de passageiros nos aviões aterrados em Portugal no quarto trimestre do ano, mais 3,3% do que em igual período do ano anterior. Isto apesar de até terem aterrado menos 0,7% aeronaves nos mesmos meses.

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