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Ministra não sabe como Marques Mendes soube da resolução do BES

A governante soube da resolução do BES, decidida pelo Banco de Portugal, a 1 de Agosto. Depois disso, comunicou a Passos Coelho e a Paulo Portas.

Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 19 de Novembro de 2014 às 22:46
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Maria Luís Albuquerque não sabe como é que Luís Marques Mendes teve conhecimento da medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal ao Banco Espírito Santo no dia 2 de Agosto, um dia antes de ser anunciada publicamente a decisão.

 

Quando foi questionada como é que pessoas que não estavam envolvidas na decisão de resolução do Banco Espírito Santo, determinada pelo Banco de Portugal, Maria Luís Albuquerque afirmou que apenas sabia que a resolução era do conhecimento de governantes e de entidades ligadas à resolução a 1 de Agosto, a última sexta-feira antes do fim do BES em que as acções do banco afundaram 40%.

 

A ministra diz ter sido informada da resolução ao BES pelo governador a 1 de Agosto. "Quando soube, comuniquei ao primeiro-ministro e ao vice-primeiro-ministro e a algumas pessoas que trabalharam comigo. E ainda à secretária de Estado do Tesouro. E sabia o Banco de Portugal e a Direcção-Geral da Concorrência. Sabia também o Banco Central Europeu, os governadores que estiveram na teleconferência [de 1 de Agosto, em que se decidiu retirar o estatuto de contraparte ao BES]", enumerou a governante na audição desta quarta-feira, 19 de Novembro, aos deputados da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES.


Maria Luís Albuquerque diz que, ao longo do fim-de-semana, mais pessoas que estiveram a trabalhar no processo tiveram conhecimento. Mas, aí, os mercados estavam fechados e ninguém poderia negociar com base em abuso de informação privilegiada, como a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) suspeita que tenha acontecido a 1 de Agosto. A ministra diz que não entende bem a fuga de informação porque, diz, não havia qualquer decisão tomada.

 

"Não tenho conhecimento de que mais sabia. Admito que houvesse mais gente", concluiu a ministra das Finanças.

 

Entretanto, a 2 de Agosto, Luís Marques Mendes avançou no comentário habitual na SIC as linhas gerais daquele que seria o plano de resolução ao BES anunciado publicamente apenas na noite seguinte, em que o banco seria dividido em banco de transição, o Novo Banco, com os activos saudáveis, e um veículo financeiro com os activos problemáticos. Mas a governante não sabe como é que o comentador teve acesso a essa informação. 

 

No âmbito da investigação que está a fazer a uma eventual fuga de informação, a CMVM solicitou às entidades envolvidas na resolução que indicassem quem tinha acesso à informação e que possa, depois, ter negociado ou dado indicações de investimento com base nessa informação (abuso de informação privilegiada). O Ministério das Finanças é uma dessas entidades. 

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