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Mira Amaral diz que Estado deve ao BIC mais que os 22 milhões que já foram pagos

O presidente do Banco BIC confirmou hoje que já recebeu 22 milhões de euros do Estado no âmbito do contrato de privatização do BPN, realçando que o banco reclama o reembolso de uma verba superior.

Lusa 15 de Julho de 2013 às 19:21
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"O acordo quadro de compra e venda do BPN entre o BIC e o Estado prevê que todos os eventos ocorridos antes da privatização do BPN são da responsabilidade do Estado e não do BIC. Os 22 milhões de euros que o Estado já nos pagou é uma parte do reembolso destas verbas, mas [o valor global a receber pelo BIC] não vai ficar por aqui", revelou à agência Lusa Mira Amaral, presidente do Banco BIC Português.

 

O gestor não quis revelar qual a verba que o banco que lidera reclamou até ao momento junto do Ministério das Finanças, mas frisou que "todos os dias aparecem novos eventos que caem em cima do BIC".

 

A Lusa tentou apurar junto de fontes oficiais das Finanças o valor que o BIC pediu até agora, algo que não foi possível até ao momento.

 

O acordo entre o BIC e o Estado prevê que o banco de capitais luso-angolanos assuma as verbas que são reclamadas judicialmente por clientes e credores sobre o extinto BPN, enviando depois as faturas para o Tesouro, que lhe deverá reembolsar os montantes em causa, conforme explicou Mira Amaral.

 

"Os processos vão sendo resolvidos nos tribunais e o BIC paga na primeira linha. Depois envia a informação para a Parvalorem, que paga o que tem que pagar", sublinhou.

"O risco do passado era de quem tinha o banco que, infelizmente, somos todos nós, os contribuintes", assinalou Mira Amaral.

 

Segundo o gestor, só assim era possível avançar com a privatização do banco fundado por Oliveira Costa, já que, na sua opinião, "nenhum acionista iria assumir o BPN com esse passado nebuloso".

 

Sobre os comentários acerca de o BIC ter pago 40 milhões de euros aos cofres estatais para ficar com o BPN e poder vir a receber do Estado uma verba superior a esse montante, Mira Amaral justificou que a quantia paga pelo BIC reflete "o valor 'dual' dos 'cashflows' futuros" do banco, considerando que "uma coisa não tem nada a ver com a outra".

"Salvámos 1.200 postos de trabalho, quando só nos tínhamos comprometido a ficar com 750 trabalhadores do BPN. Mas, sobre isso, ninguém nos congratulou", salientou Mira Amaral.

 

O Ministério das Finanças disse hoje o Estado já pagou 22 milhões de euros em responsabilidades contingentes no âmbito do contrato de venda do BPN ao BIC, lembrando que o mesmo previa um valor até 158 milhões de euros.

 

Isto, depois de uma notícia hoje avançada pelo jornal Público, segundo a qual "o grupo luso-angolano, que pagou 40 milhões de euros pelo BPN, já enviou para o Tesouro facturas de cerca de 100 milhões de euros ao abrigo do contrato de execução assinado com a actual ministra das Finanças", Maria Luís Albuquerque.

 

O jornal diário detalha que "esta verba é requerida no quadro de privatização do BPN, cujo contrato de execução prevê que o BIC Portugal se responsabilize por liquidar as contingências judiciais (acções instauradas contra o BPN por clientes e trabalhadores), mediante o compromisso de ser reembolsado posteriormente pelo Tesouro".

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