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Mitsubishi UFJ considera que Altice pode estar interessada em vender Cabovisão

A multinacional Altice vai pagar 13,5 mil milhões de euros à Vivendi para ficar com a francesa SFR. “Muito dinheiro” que poderá obrigá-la a desfazer-se de activos considerados não centrais para os seus negócios, admite o Mitsubishi UJF. Um dos exemplos é a Cabovisão. A Vodafone é a potencial compradora, segundo o mesmo banco. Uma hipótese que se adequa às intenções da operadora britânica e que já havia sido avançada por outros analistas.

Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 07 de Abril de 2014 às 14:00
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A multinacional vai adquirir a operadora móvel francesa SFR mas poderá estar a preparar-se para vender a operadora portuguesa Cabovisão, segundo prevê o banco de investimento Mitsubishi UFJ.

 

Numa nota de “research”, inicialmente citada pela agência Bloomberg mas a que o Negócios também já teve acesso, o analista Rick Mattila explica que a Altice, através da empresa Numericable, vai concretizar a operação através da entrega de “muito dinheiro”. O que poderá conduzir à necessidade de alienar activos que são considerados não essenciais para os seus negócios. A Cabovisão é apontada como o potencial activo vendido.

 

"Não ficaríamos surpreendidos em ver a Altice a procurar desfazer-se da sua operação de cabo portuguesa Cabovisão", comenta o analista como um "aparte" na nota de "research" sobre a operação de compra da unidade da Vivendi por parte da Altice.

 

A operação poderá atingir os 17 mil milhões de euros, sendo que cerca de 13,5 mil  milhões deste montante será pago em dinheiro. Poderão ainda ser adicionados 750 milhões caso sejam cumpridas determinadas condições (não tornadas públicas). A Numericable também irá ceder 20% do capital da empresa onde será integrada a SFR.

 

No mercado nacional, a Cabovisão tem uma quota de mercado de 6% - nesta altura, está em processo de alteração da sua estratégia, tendo acabado com a fidelização. Na possibilidade de alienar a posição em Portugal, a Vodafone é “vista como o comprador mais óbvio”, segundo o analista Mattila. Neste momento, a Cabovisão não faz comentários.

 

Em entrevista ao Negócios, no final de Março, o presidente executivo do grupo, Vittorio Colao, afirmou que não está em Portugal para vender mas sim para comprar. “Se houver alguma coisa para comprar, talvez uma ou duas companhias de cabo, porque não?”, questionou-se em 26 de Março. Especificamente em relação à Cabovisão, Colao indicou que um eventual negócio poderia interessar. “Se estiverem à venda, falaremos”. “Podemos cooperar com a Oni e Cabovisão, podemos fazer uma parceria comercial ou algo mais”, acrescentou.

 

Na semana passada, esta hipótese foi referida numa nota de investimento sobre a Zon Optimus. Isto porque a concorrência da Vodafone é, segundo o Berenberg, fulcral para definir o ano 2015 para a antiga dona da TV Cabo. “Acreditamos que a Zon Optimus possa anunciar, nos próximos meses, um refinanciamento da sua dívida a um custo menor, ao mesmo tempo que a Vodafone pode adquirir a Cabovisão e aligeirar a sua estratégia agressiva de fixação de preços”, indicava o analista do banco alemão.

 

Além de Portugal (com a Cabovisão e a Oni), a Altice está presente em países europeus como a França, Bélgica, Luxemburgo e Suíça. Noutros mercados, encontra-se na República Dominicana mas também em Israel.

 

(Notícia actualizada às 14h55 com informação de que Cabovisão não quer comentar o eventual interesse da Altice em desfazer-se da operadora nacional; notícia actualizada às 17h40 com indicações inseridas na nota, a que o Negócios teve acesso)

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