Banca & Finanças Montepio regista perdas de 3,6 milhões com a venda do moçambicano Banco Terra

Montepio regista perdas de 3,6 milhões com a venda do moçambicano Banco Terra

O Montepio concretizou a venda da posição no Banco Terra. O encaixe conseguido com a operação não evita que o negócio de Moçambique tenha um impacto negativo de 3,6 milhões nas contas da instituição.
Montepio regista perdas de 3,6 milhões com a venda do moçambicano Banco Terra
Miguel Baltazar/Negócios

O Banco Montepio anunciou no final de agosto a venda da sua posição no capital no moçambicano Banco Terra, mas na altura a caixa económica não revelou valores da operação.

 

Esta quinta-feira, 3 de Janeiro, o Montepio revela que "concretizou a venda da participação de 45,78% que a sua participada Montepio Holding detinha no capital social do BTM – Banco Terra", de acordo com o comunicado emitido para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

E revelou que esta alienação "proporcionou um proveito estimado de 3,2 milhões de euros nas demonstrações financeiras consolidadas de 2018". Contudo, os resultados relacionados com o Banco Terra não serão positivos, devido ao impacto cambial.

 

"A concretização desta operação originou a perda de controlo desta subsidiária, tendo determinado, de acordo com as normas contabilísticas aplicáveis, a reciclagem da reserva cambial negativa de 6,8 milhões de euros por contrapartida de resultados do exercício. Assim, os resultados líquidos da CEMG vão ser afetados desfavoravelmente em 3,6 milhões de euros", explica o mesmo comunicado.

 

Já no que respeita aos rácios de solvabilidade, os ganhos são visíveis. "Esta operação aporta impactos estimados positivos de nove pontos base no rácio Core Tier 1 (Common Equity Tier 1) e de seis pontos base no rácio de Capital Total."

Arise é a compradora

 

A instituição moçambicana é vendida "à Arise, uma holding criada em conjunto pelo fundo soberano norueguês Norfund, pelo banco de fomento holandês FMO e pelo Rabobank para apoiar o crescimento em África através de investimentos em instituições financeiras africanas".

 

Esta sociedade foi constituída em 2016 para que aqueles bancos europeus juntassem os seus ativos africanos numa parceria. O Banco Terra foi, agora, um dos visados, tanto que o Norfund e o Rabobank já eram seus acionistas individuais e queriam transferi-las para a Arise. 

Antes da venda, o Montepio e o Rabobank tinham posições iguais (45,78%) no Banco Terra, a juntar aos 6,49% do Norfund e ainda 1,94% nas mãos de uma sociedade denominada Gapi. 

 

Foi a gestão do ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que decidiu uma operação que foi colocada em cima da mesa pela gestão de José Félix Morgado, em 2016, ainda que com contornos distintos. Na altura, foi anunciado que o Montepio iria ter, a partir de 2017, uma participação em torno de 5% na Arise, devido à transferência dos bancos moçambicano e angolano (Finibanco Angola). Quando entrou em funções, Carlos Tavares não pegou logo neste dossiê, até porque queria olhar para outras possibilidades no mercado africano. 




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