Obrigações Moody’s melhora rating da CGD mas mantém banco público no “lixo”

Moody’s melhora rating da CGD mas mantém banco público no “lixo”

A agência de notação financeira reviu em alta o rating do banco público em um nível, citando melhorias nos fundamentais de crédito da instituição.
Moody’s melhora rating da CGD mas mantém banco público no “lixo”
Bloomberg
Rita Faria 27 de fevereiro de 2018 às 10:33

A Moody’s melhorou o rating de depósitos de longo prazo e de dívida sénior da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em um nível, de B1 para Ba3, com perspectiva estável. Apesar da revisão em alta, o banco público continua no terceiro patamar de "lixo" para a agência norte-americana. Além disso, a Moody’s também melhorou o "rating" que mede a solidez financeira intrínseca da entidade.

Numa nota divulgada esta terça-feira, 27 de Fevereiro, a agência de notação financeira justifica esta revisão com "as melhorias mais rápidas do que o esperado nos fundamentais de crédito do banco".

"A Moody’s considera que a CGD está a cumprir gradualmente os objectivos do seu plano de reestruturação, particularmente no que diz respeito ao risco dos activos e à rentabilidade", esclarece.

No relatório, a agência de notação financeira recorda que, em Dezembro de 2017, o rácio de crédito malparado da Caixa estava em 12,1%, o que compara com 15,8% em Dezembro de 2016. Apesar da tendência positiva, "a Moodys reconhece que a CGD ainda tem um elevado nível de crédito malparado em comparação com outros bancos europeus".

 

Na revisão em alta da avaliação do banco, a Moody’s também incorpora "a sua expectativa de mais melhorias ao nível do risco dos activos, suportada pelas estimativas de crescimento económico de Portugal (a agência de rating antecipa um crescimento de 1,7% em 2018)". "A revisão em alta também incorpora a intenção do banco de continuar a focar-se em recuperação, amortizações e mais vendas de crédito malparado no mercado", acrescenta a nota.

Apesar dos "progressos visíveis" em 2017, a Moody’s alerta que os resultados operacionais do banco do Estado deverão continuar a ser desafiados por pressões decorrentes do ambiente de juros baixos e dos volumes de negócio moderados.

Contudo, o rating poderá sofrer uma pressão ascendente e ser melhorado novamente "se o stock de activos problemáticos da CGD cair ainda mais, enquanto o banco continuar a melhorar a sua capacidade de geração de receitas e mantiver o seu capital nos níveis actuais", destaca a agência.

 

(Notícia actualizada às 11:07 com mais informação)