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Moratórias adiam 3,4 mil milhões de prestações até setembro

Há moratórias registadas num total de créditos de 34 mil milhões de euros, ou 22% do crédito total. O adiamento de prestações atinge os 3,4 mil milhões.

Tiago Sousa Dias
Alexandra Machado amachado@negocios.pt 24 de Junho de 2020 às 14:08
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Um total de 22% da carteira total de crédito dos bancos está abrangido pelas moratórias existentes que adiam o pagamento da prestação mensal. De acordo com dados do Banco de Portugal, publicados no relatório da estabilidade financeira, hoje apresentado, "a informação fornecida pelos oito maiores grupos bancários a atuar em Portugal permite concluir que a exposição destes bancos a créditos objeto de adesão a regimes de moratórias (pública e privadas), até ao dia 18 de junho, ascendia a cerca de 39 mil milhões de euros (cerca de 22% da carteira total de crédito a empresas e particulares)".

Ou seja, as moratórias abrangem contratos de crédito que totalizam 39 mil milhões de euros. 

No crédito a empresas é 29% da carteira de crédito, e nos particulares é de cerca de 17%.

De acordo com os mesmos dados, e ainda segundo as estimativas dos bancos, serão adiadas até 30 de setembro (o relatório foi produzido antes da extensão das moratórias para 31 de março de 2021) prestações de 3,4 mil milhões de euros, sendo 2,8 mil milhões de euros no segmento de crédito a empresas e 600 milhões no crédito a particulares.

Ainda que o risco de liquidez seja mitigado pelas moratórias, o Banco de Portugal salienta que estes regimes que, no caso português, não tem garantia pública, representa um risco futuro, não quantificando. 

"As Moratórias Gerais de Pagamento são um importante instrumento na mitigação do risco de liquidez, fornecendo uma janela temporal de proteção aos mutuários e, por essa via, ao sistema financeiro. Não obstante, o risco para o setor financeiro, quando não existe uma garantia pública associada, como é o caso de Portugal, não se reduz. Assim, se, num primeiro momento, a adesão a um regime de moratória contribui para preservar a situação creditícia da generalidade dos mutuários, sempre que estes cumpram com os critérios de adesão previstos nas Orientações, num segundo momento, e em particular findo o período da moratória, a análise da viabilidade económico-financeira das empresas e a capacidade de pagamento dos particulares voltam a destacar-se como indicadores relevantes na avaliação do risco de crédito", lê-se no relatório de estabilidade financeira hoje apresentado.

O Banco de Portugal alerta mesmo para a possibilidade de "as consequências económicas e financeiras desta pandemia se poderem prolongar muito para além do fim previsto do período de vigência dos regimes de moratórias, pelo que, após o seu término, poderá ocorrer um aumento do incumprimento das obrigações de crédito tanto dos particulares, como das empresas. Neste sentido, é fundamental que os regimes de moratória sejam acompanhados por outras medidas de apoio à liquidez e solvabilidade dos diferentes agentes económicos e de relançamento da economia".
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