Empresas Moreira acusa ministro de penalizar imagem do Governo no caso da TAP

Moreira acusa ministro de penalizar imagem do Governo no caso da TAP

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusa o ministro do Planeamento de "penalizar a imagem" do Governo na questão da TAP, segundo uma carta dirigida pelo autarca ao primeiro-ministro, a que a Lusa teve acesso.
Moreira acusa ministro de penalizar imagem do Governo no caso da TAP
Correio da Manhã
Negócios com Lusa 06 de abril de 2016 às 14:13

"É possível, senhor primeiro-ministro, que, como diz o senhor ministro, a Câmara do Porto penalize a imagem da companhia. É certo, senhor primeiro-ministro, que o senhor ministro, que terá 'perdido o Norte', penaliza a imagem do seu Governo", conclui o autarca, referindo-se à entrevista que Pedro Marques concede esta quarta-feira ao Negócios.

Nesta entrevista, o ministro do Planeamento e das Infra-Estruturas afirma que a "animosidade da Câmara do Porto penaliza a imagem da TAP". "Gostava que esta situação estabilizasse. Aquilo que era mais importante e que o Governo assegurou no quadro da negociação com os privados foi a existência de uma base de operações relevante no Porto. O resto, rotas concretas, é uma questão da administração executiva da empresa", diz Pedro Marques.

Na missiva enviada a António Costa, Moreira revela "profunda estupefacção" com a entrevista, por constatar que, "no discurso público, o Governo se coloca ao lado da TAP e contra a Câmara do Porto".

Rui Moreira afirma que o ministro "não diz a verdade" sobre os voos da TAP no Porto porque "o Governo não assegurou, no quadro de negociação com os privados [para a reversão da privatização da empresa], a existência de uma base relevante no Porto".


O autarca independente sublinha que, depois da reversão, a transportadora aérea voltou a reduzir a operação no Porto, ou seja, reduziu mais de 500 mil lugares anuais nos seus voos e 74 voos internacionais por semana.


"É possível, senhor primeiro-ministro, que, como diz o senhor ministro, a Câmara do Porto penalize a imagem da companhia. Esse é o preço que a companhia paga por ter abandonado o Norte, ou, se quiser, por ter 'perdido o Norte'. Também a companhia tem penalizado o Norte: a sua imagem e a sua economia", destaca.

O presidente da Câmara do Porto afirmou na quinta-feira que "a única companhia aérea subsidiada é a TAP" e que todos os portugueses pagam, através da empresa, "uma actividade no Brasil que já custou 500 milhões de euros".

Moreira falava numa conferência de imprensa conjunta com o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, que concordou com as críticas do homólogo do Porto à transportadora.

Nos últimos meses, Rui Moreira tem criticado a estratégia da TAP para o Porto e admitiu "apelar ao boicote da região" à transportadora, acusando-a de ter em curso uma estratégia para "destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro" e construir, em Lisboa, "um novo aeroporto e uma nova ponte".

A "guerra séria" que Moreira disse ter em curso contra a TAP deve-se, em parte, à suspensão de quatro rotas europeias que a empresa diz representarem um prejuízo de 8,02 milhões de euros, ao passo que a autarquia do Porto garante terem uma "ocupação média de 90%", representando "o transporte de perto de 190 mil passageiros, em 1.867 voos de ida e volta".

Segundo o acordo estabelecido pelo Governo de António Costa (PS) com o consórcio de Neeleman depois da privatização da transportadora, concretizada pelo anterior executivo PSD/CDS, o Estado ficará detentor de 50% da TAP e das suas subsidiárias.

A 22 de Março, durante a apresentação do livro "TAP - Caixa Negra", que escreveu, Moreira afirmou que quem controla a transportadora aérea é o empresário David Neeleman e não o Governo.


(Notícia actualizada às 14:23)




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