Construção Mota-Engil e a execução de grandes obras públicas: “Só há duas empresas portuguesas capazes”

Mota-Engil e a execução de grandes obras públicas: “Só há duas empresas portuguesas capazes”

Luís Parreirão, o administrador do “family office” da família Mota, mostra-se pessimista quanto à evolução do setor das obras públicas e acredita que o investimento anunciado será sobretudo executado por empresas estrangeiras.
Mota-Engil e a execução de grandes obras públicas: “Só há duas empresas portuguesas capazes”
Miguel Baltazar
Rui Neves Cláudia Brandão 27 de novembro de 2019 às 12:28

"A destruição nas empresas de obras públicas foi grande", insurgiu-se o administrador do "family office" da família Mota, dona da construtora Mota-Engil.

 

Luís Parreirão afirmou que a Mota-Engil está expectante quanto à concretização do investimento público anunciado pelo Governo, mas alertou que "muito desse investimento já não será executado por empresas nacionais, mas por estrangeiras com maior capacidade".

 

O administrador da "holding" Mota Gestão e Participações, que falava esta quarta-feira, 27 de novembro, num debate integrado na apresentação dos resultados do Barómetro Europeu de Empresas Familiares, no Porto, garantiu que, "neste momento há duas empresas portuguesas capazes de executar grandes obras públicas quando, há uns anos, eram cinco ou seis".

 

De acordo com os indicadores do mercado do setor da construção em Portugal, Parreirão estaria a referir-se à Teixeira Duarte como a concorrente nacional da Mota-Engil na corrida às obras públicas em território nacional.

 

"É essencial um planeamento rigoroso [da parte do Estado] para que as empresas se possam organizar, sob pena de termos de continuar a faturar a maior parte do nosso negócio no mercado externo", ressalvou.

 

Chamados a debater os desafios das empresas familiares em Portugal, também Isabel Furtado e Manuel Violas fizeram parte da conversa e todos defenderam a gestão profissional deste tipo de empresas.

 

Para a CEO da Têxtil Manuel Gonçalves (TMG), os resultados positivos do "survey" apresentado, que mostrava um nível de otimismo dos líderes de empresas familiares portuguesas muito acima da média da Europa, não são uma surpresa.

 

"Uma empresa na primeira ou segunda geração tende a recorrer ao que tem dentro de portas, mas quanto mais cresce e se torna global, há necessidade imperativa de se profissionalizar a gestão. Não nos podemos esquecer que cinco das cotadas em bolsa têm gestão familiar", disse a também presidente da COTEC.

 

E a inevitabilidade da sucessão? Para Isabel Furtado, importa sublinhar que "a empresa não existe para servir a família" e também "não podemos partir do pressuposto de que todos os descendentes querem ou mesmo terão capacidades para trabalhar na empresa".

 

O debate integrou a apresentação do Barómetro Europeu de Empresas Familiares, que teve lugar, esta quarta-feira, 27 de novembro, na Fundação Serralves, no Porto, numa iniciativa em parceria com o semanário Expresso. Foi a primeira vez que as empresas nacionais integraram este estudo.




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